Débora Meister – nascimento da Júlia

02/09/2005

Minha gravidez toda foi tranqüila, embora minha pressão subisse toda vez que tinha consulta. Mas em casa sempre era normal. Foi uma gravidez feliz, fiz hidroginástica até 37 semanas, 3 vezes por semana.

Me sentia muito bem, disposta e curtindo muito o barrigão. Com quase 37 semanas, minha pressão começou a subir. Aí o Dr. Marcos achou melhor me dar alguns remédios, pra ver se baixava. Comecei a tomar um pra pressão e outro calmante. Fiquei muito deprimida de ter que tomar esses remédios, porque eu fiquei com medo de fazer mal pra minha filhota. Passei 3 dias chorando por qualquer coisa, e então comecei a melhorar. Mas minha pressão não baixava. Aliás, pelo contrário. Ela começou a subir mesmo com o remédio e chegou a 15 X 11. Então o Dr. Marcos me internou em casa, ou seja, tive que fazer repouso pra ver se a pressão baixava. Minha mãe veio pra dar uma mão, porque eu não ia poder dar conta da Gabi. Mas não levei muito a sério esse repouso, então comecei a inchar. Inchei demais. E na 2ª feira, com 38 semanas, o Dr. Marcos resolveu fazer um descolamento de membranas, pra ver se a gente conseguia induzir o parto.

Ele estava com receio de não dar tempo de tentar um parto normal, por causa do meu inchaço e da minha pressão. Daí eu tive que fazer repouso mesmo, pra tentar diminuir o inchaço ou pelo menos estabilizar. Eu estava com quase 1 cm de dilatação e ele fez o descolamento. Doeu muito mais do que eu imaginava. Ele disse que a probabilidade de eu entrar em TP em 48 horas era de 50%. Fui pra casa, ele ligou à noite pra saber como eu estava. Mas não aconteceu nada. Ele estava preocupado, por causa do meu inchaço. Não queria nem esperar até 5ª feira. Voltamos lá na 3ª e fizemos de novo o descolamento. Dessa vez eu estava com quase 3 cm. Mas nem assim entrei em TP.

Repetimos o descolamento na 4ª e fiquei em casa, de repouso. O Dr. Marcos estava preocupado, e ele queria ganhar tempo (ele queria que eu entrasse em TP até 40 semanas, pra poder fazer o parto normal e não precisar de uma cesárea de emergência). Mas como eu tinha desinchado um pouco e minha pressão em repouso estava boa, ele disse que dava pra esperar sim, mas se eu seguisse o repouso à risca. Ele disse pra gente que era a 1ª vez que fazia descolamento de membranas 3 dias seguidos, mas que assim era maior a probabilidade de eu entrar em TP. Mas eu não fazia parte da estatística, com certeza.

Ele tinha dito que com o descolamento com 3 cm era de 80% a probabilidade de entrar em TP em 48 horas. Era só esperar. Passou o resto da semana, e nada de TP. Só algumas contrações fracas, mas sem ritmo. Na 2ª feira, voltamos pro consultório. Ele fez de novo o descolamento. Mas ficou mais tranqüilo por que minha pressão estava boa, e por isso deu uma folguinha pra gente, em vez de mandar voltar no dia seguinte, disse pra irmos lá na 4ª. E disse que se continuasse assim, dava até pra esperar o fim de semana, quando eu completaria quase 40 semanas.

Fui pra casa, super desanimada. Ainda estava com 3 cm e estava começando a achar que não ia dar. Eu estava com 39 semanas e 2 dias. Fui dormir injuriada naquela noite. Na 3ª de manhã fiquei enrolando pra sair da cama e de repente me veio na cabeça a idéia de que eu poderia entrar em TP não com contrações, mas sim com o rompimento da bolsa.

Então dei mais uma cochilada e quando levantei, senti um líquido quente molhar minha calcinha. Me deu uma mistura de medo com alegria. Fui no banheiro e era líquido mesmo. Liguei pro Dr. Marcos e ele me disse que poderia ser a bolsa mesmo. Me pediu pra observar se ia aumentar e se eu ia ter contrações, e a gente ia se falando no decorrer do dia. Liguei pro Juan e dei a notícia. Ele ficou meio inquieto, mas não ficou nem nervoso, nem apavorado.

Como eu não tinha contrações, o Dr. Marcos nos pediu pra ir no consultório à noite pra ele me examinar. Eu continuava com 3 cm mas a bolsa acabou de romper no consultório. Ele fez mais uma vez o descolamento, que doeu muito e nos mandou pra maternidade. Minha pressão estava normal e fiquei mais sossegada. Cheguei na maternidade e a gente ficou lá, sem ter o que fazer, só esperando. De novo, minha pressão tava 12 x 8, normalzinha. Nada de contrações. Nos falamos mais tarde, por telefone e eu passei a noite toda só na expectativa. Mas nada de contrações.

Na 4ª feira de manhã o Dr. Marcos chegou pra dar um empurrãozinho com ocitocina. Como tinha uma outra paciente chegando com 7 cm, ele decidiu que ia fazer o parto dela primeiro e depois vinha pra fazer começar o meu. Mas como ele estava demorando muito, minha pressão começou a subir por causa do stress e da impaciência de ficar esperando. Aí me deu medo e achei que ia precisar de cesárea mesmo. Então fui tomar um banho quente pra ajudar a relaxar e isso ajudou a baixar minha pressão. Minha sorte é que o Dr. Marcos estava sendo avisado e não deu muita importância pra minha pressão, por causa do meu stress.

Lá pelas 3 da tarde ele chegou. Colocou o tal do soro com a ocitocina e daí ficou o tempo todo lá no quarto com a gente, monitorando o andamento das contrações. Estava tudo ótimo, super descontraído. Ele ficava com a mão na minha barriga pra sentir as contrações e a gente ficou conversando e fazendo piada, nós 3.

As contrações não estavam lá muito doloridas, mas já era bem diferente das que eu tinha sentido antes. Daí lá pelas 4:30 hs mais ou menos elas começaram a ficar mais fortes e o Dr. Marcos decidiu que era hora de ir pra suíte de parto. Na verdade, a gente ia ficar mais tempo no quarto, mas se fosse esperar mais, ia perder a LDR. Então, ele foi se trocar e a enfermeira veio pra me ajudar. Nisso o jantar chegou e o Dr. Marcos disse pro Juan comer, porque depois eu ia precisar dele e aí ele não ia poder sair. Fui pra LDR e o Juan foi até a porta comigo e voltou pro quarto pra jantar.

O Dr. Marcos disse que ia ser bom se eu entrasse na banheira pra relaxar, porque as contrações estavam ficando muito mais doloridas.

Então eu entrei na tal banheira. Foi muito bom, porque a água morna me ajudava a relaxar. Mas a dor começou a aumentar muito e muito rápido e então o Juan chegou. Eu achava que a dor não ia ficar pior do que estava e fiquei de cócoras na banheira pra ajudar a Júlia a descer e ver se dilatava mais rápido e aí a dor começou a aumentar. Eu sentia a Júlia empurrando os músculos pra descer e a dor era muito forte. Era a pior parte das contrações. O Juan ficou o tempo todo do meu lado e eu agarrava a mão dele quando vinha uma contração mais forte. Ele jogou água quente nas minhas costas, pra me ajudar a relaxar. Por causa da minha pressão, o Dr. Marcos toda hora monitorava o coração da Júlia e eu precisava sair da água pra isso e então a dor aumentava. Ele me dizia que valeria a pena esperar pelo anestesista da equipe, o Dr. Rodrigo e que se eu conseguisse agüentar, seria melhor. Já era mais ou menos 7 horas, um pouco mais.

Continuei na banheira e o Dr. Marcos começou a ligar pro Dr. Rodrigo, que estava fazendo uma cesárea ali perto. Como a dor estava ficando muito forte, ele sugeriu dolantina pra relaxar e amenizar um pouco a dor. Eu aceitei, porque a dor era muito grande. Quando eu saí da banheira, a coisa ficou feia. O Juan me segurou e o Dr. Marcos me enxugou, pra eu poder ir pra cama tomar a tal dolantina. Antes disso, ele fez um exame de toque bem no meio de uma contração, que doeu demais. Eu ainda estava com 5 cm de dilatação. Mas as contrações estavam tão fortes, tão próximas e a dor era tão insuportável, que foi como se eu tivesse tomado água.

O próprio Dr. Marcos depois do parto disse que já tinha passado um pouco do momento de tomar a anestesia. Lá pelas 8 horas o Dr. Marcos disse que o Rodrigo estava chegando e que às 8:30 hs ele estaria lá. Sei que deu 8:30 hs, 8:45 hs e nada. Uma hora eu lembro que eu disse que ia matar esse tal de Rodrigo. Coitado!!

Quando foi mais ou menos umas 9 horas ele chegou. Eu já estava gritando de dor e na hora das contrações dizia que não ia mais esperar, que queria o anestesista da maternidade. O Juan começou a ficar preocupado, porque ele disse que achava que eu ia acabar desmaiando de dor. Foi muito complicado mesmo. Quando o Rodrigo chegou já estava tudo preparado pra anestesia. O Dr. Marcos me ajudou a sentar na posição correta e aí vieram 2 contrações fortes pra caramba e eu acabei agarrando e apertando ele mesmo, que foi super legal e ficou dizendo pra eu ter calma, que ia passar.

Depois que eu tomei anestesia, a coisa ficou muito melhor, claro. Eles disseram que eu ia dormir um pouco, por causa do stress e por que a anestesia ia me fazer relaxar. Dormi uns 15 minutos acho. Nesse meio tempo, o Juan saiu pra telefonar e eu fiquei lá na LDR. Quando ele voltou, eu estava meio acordada e comecei a sentir dor de novo e o Dr. Rodrigo me deu mais um pouco da anestesia. Por causa disso minhas pernas ficaram meio dormentes, mas eu não senti mais dor. Então o Dr. Marcos veio e fez um exame de toque. Em 15 minutos eu tinha dilatado de 5 pra 9 cm. Acho que por causa da dor, o colo estava demorando pra dilatar. Depois que recebi a anestesia, tudo aconteceu mais rápido.

Então chegou a Dra. Karla, assistente do Dr. Marcos, que me ajudou muito no expulsivo. O Dr. Marcos começou a ajeitar a cama pra eu começar a fazer força e então a gente começou a conversar sobre a possibilidade de eu esperar mais um pouco pra começar.

A Júlia estava bem e eu queria que minhas pernas tivessem mais sensibilidade pra poder empurrar. Daí, com um espelho, eu vi a cabecinha dela no canal de parto. Foi tão bonito!!! Ela era toda cabeludinha e depois que ela desceu mais um pouco, eu consegui por a mão na cabecinha dela. Fiquei super emocionada. Lá pelas 11:30 hs comecei a fazer força. Como não sentia as pernas direito nem as contrações, a Dra. Karla me orientou, dizendo quando eu tinha que fazer força. E aí a gente começou. Eu fiz força durante 40 minutos e chegou um momento, bem no finalzinho, que eles perderam o batimento dela, por causa da posição da neném, que estava bem pra baixo. Aí a Dra. Karla perguntou se o Dr.Marcos iria querer o bisturi pra fazer a episio, por que tinha que nascer naquela contração.

Então, vaio mais uma e era a última. Ele disse: “Agora tem que nascer. Faz força Débora”. Daí eu fiz uma força enorme e ela nasceu. Eu senti ela saindo, coisa que eu queria muito e achei que não fosse conseguir, por causa da anestesia. Colocaram ela no meu colo e eu comecei a chorar. O Dr. Marcos me pediu pra respirar fundo pra ajudar a Júlia a respirar e ela chorou. Daí eu e o Juan enxugamos ela e ela foi ficando calma. Levaram ela pro bercinho aquecido e no apgar deu 10 e 10. Todo mundo ficou muito surpreso e muito feliz, por que isso é raro. Enquanto o Dr. Marcos tirava a placenta, que estava difícil de sair, o Juan deu banho na Júlia ali do meu lado. Ela ficou olhando pra ele, com os olhos bem abertos, arregalados. Quietinha..

Pela cara do Dr. Marcos, vi que a coisa estava ficando preocupante. Mas depois de algumas massagens na barriga feitas pelo Dr. Rodrigo, a placenta saiu… Levei 2 pontinhos minúsculos e estava tudo bem. Nossa pequena nasceu com 2.770 Kg e 46 cm, super miudinha, uma fofura.

Meu parto foi do jeito que eu queria, eu esperava não ter que tomar anestesia, mas com certeza se não tivesse tomado, eu não teria conseguido. Eu não esperava que fosse sentir tanta dor e nem que eu não fosse conseguir chegar ao final sem tomar.

Mas foi fundamental o trabalho do Rodrigo pra eu poder ter meu parto do jeito que eu quis. Sem a anestesia, eu não teria conseguido dilatar o que faltava, por causa da dor.

Depois do parto, no dia seguinte, o Dr. Marcos explicou que eu senti muita dor porque a bolsa rota faz com que o bebê pressione os músculos com mais força, por que a água da bolsa que serviria como amortecedor não está mais no útero em quantidade suficiente pra fazer esse amortecimento.

Meu parto foi do jeito que eu queria, minha filha nasceu bem, saudável. Se eu pudesse voltar no tempo, com certeza teria feito do mesmo jeito. O Dr. Rodrigo foi um amor, super atencioso, competente. O Dr. Marcos Tadeu Garcia foi um profissional excelente, maravilhoso, que fez muito mais do que eu imaginava e esperava de um médico. E não só na hora do parto em si, mas durante todo pré-natal, super preocupado comigo e com a Júlia, atencioso. Depois, no dia antes da alta, fiquei muito feliz porque o Rodrigo e o Marcos disseram que meu parto foi muito bonito, porque foi de lavar a alma, afinal com toda minha condição (cesárea prévia, pressão alta, parto induzido e bolsa rota) eu tinha tudo pra ter tido algum problema, como por exemplo sofrimento fetal com direito a mecônio e tudo mais.

Mas minha filhota nasceu com 10 e 10 de apgar, coisa que o Marcos nunca tinha visto e que o Rodrigo viu raras vezes. E como o próprio Rodrigo disse, essa nota da Júlia veio pra coroar um trabalho de 9 meses do Dr. Marcos e nosso, e por isso fiquei muito feliz e realizada.

Quanto ao Juan, a Júlia veio pra unir ainda mais a gente. Mesmo sem abrir a boca, ele me deu uma força enorme e foi super companheiro quando eu mais precisei. Foi um marido maravilhoso e eu acho que isso aproximou muito nós dois. Se ele não estivesse comigo, eu não teria conseguido, com certeza.

Vou sentir muita saudade da gravidez, do parto, mesmo com toda dor que eu senti. E vou sentir saudade até do repouso forçado, das idas ao médico todo dia nas últimas semanas. Vou sentir muita saudade do Rodrigo, o anestesista, que foi um anjo que caiu do céu na hora mais difícil de todo TP. Uma pessoa super doce, super meiga, com uma voz de anjo mesmo. Aliás um dos momentos mais emocionantes depois do parto foi quando ele pegou a Júlia no colo, no quarto. O Juan deu a pequena pra ele segurar e ele ficou todo encantado, sem jeito. Foi muito legal mesmo de ver. Foi muito bom e na gravidez inteira me senti cuidada e acarinhada. Vai deixar saudade mesmo.