Relato de Elaine Morelli – nascimento da Helena

Minha gravidez foi muito tranqüila. Engordei pouco, pratiquei atividade física até um dia antes de entrar em trabalho de parto. A única atividade física que cortei na gravidez foi à corrida. Claro que tudo respeitando a Helena. Porque afinal de contas esta era uma fase dela e não minha. As atividades físicas foram muito importantes no meu trabalho de parto, especialmente na fase final.

De todas as minhas conhecidas e amigas, somente duas pessoas tiveram parto normal, uma porque chegou à maternidade com quase 10 cm de dilatação e a outra porque foi nos EUA. Então não serviam de parâmetro. Resolvi por minha conta ir atrás. Lia muito e procurava me informar sobre tudo. É claro que se tivesse que fazer cesárea por qualquer motivo que pudesse prejudicar minha filha, não haveria nenhum problema. Mas eu queria um profissional que eu confiasse.

Conheci o Dr. Marcos Tadeu Garcia no quarto mês de gravidez através de pesquisas na internet. Isto aconteceu quando percebi que o médico que estava me acompanhando não estava em total sintonia com o que eu queria. Desde a primeira consulta com o Dr. Marcos, eu percebi que só iria ter um parto através da cesárea se realmente fosse necessário.

Entrei em trabalho de parto no dia 23 de outubro a tarde. Acho que a fase latente havia começado. Fiquei a noite toda acordada contando as contrações. Elas eram suportáveis, mas eu não conseguia dormir. Porque havia períodos que elas ficavam de 3 em 3 minutos, outras eram de 5 em 5 minutos. Quando foi mais ou menos 1:00 h da manhã do dia 24, eu acordei o meu marido para ele poder contar para mim. Mas elas não tinham muita regularidade. Às vezes mais intensas outras vezes mais fracas. Mais ou menos 5:00 hs da manhã eu liguei para o Dr. Marcos e ele pediu para ir para o São Luiz pela manhã para ver como estava a dilatação. Mas quando foi chegando por volta das 8:00 hs da manhã elas deram uma folga e estavam de 10 em 10 minutos. Mas mesmo assim eu fui para o hospital ver como estava. Fiz o exame e tinha apenas 0,5 cm. Voltei para casa e na parte da manhã do dia 24 elas continuavam irregulares. Já nem marcava mais os minutos. Eu estava um pouquinho cansada.

No período da tarde elas se tornaram mais intensas, mas como na noite anterior elas estavam fortes, resolvi esperar. À noite, as contrações estavam bem fortes e uma atrás da outra. Liguei para o Dr. Marcos novamente, para ver se podia tomar algum remédio para aliviar um pouquinho a dor para eu conseguir dormir. Depois de algum tempinho deitada e as contrações bem fortes, minha bolsa estourou. Foi uma mistura de alegria e dor. Fiquei um pouco desesperada, acho que devido ao cansaço e ao medo de não ter dilatado nada além do 0,5 centímetro. Liguei para o Dr. Marcos novamente e ele pediu para aguardar mais 1 hora antes de ir ao hospital.

Fui tomar um banho para me acalmar um pouco e comer alguma coisa. A bolsa estourou 22:30 hs. Cheguei ao hospital novamente por volta de 0:00 hs. Fui novamente fazer o exame de toque e estava com 3,5 centímetros de dilatação. Mesmo com a dorzinha fiquei muito feliz e o melhor é que o Delivery estava desocupado.

Quando entrei no Delivery, fui direto para o banheiro tomar banho para aliviar a dor. Isto era por volta de 00:30 hs. Quando foi por volta de 1:30 hs, eu estava com 4 cm de dilatação. Doía um pouquinho, mas como estava evoluindo continuei embaixo do chuveiro até 4:30 hs da manhã. A esta altura estava doendo demais e eu queria o anestesista por perto, para eu poder me sentir mais segura.

Sei lá… No exame de toque das 4:30 hs tinha evoluído bastante, já estava com 8,5 centímetros de dilatação. Fui para a banheira um pouquinho, mas para mim o melhor alívio era o chuveiro. Não gostei da banheira. Mas cada pessoa tem uma preferência. Fiquei somente 15 minutos na banheira, foi o tempo que o anestesista, o Dr. Cássio, chegou. Foi um alívio tomar analgesia, e a partir deste momento consegui descansar um pouco. Isto foi mais ou menos por volta de 6:00 hs da manhã. Entre 6:00 hs e 10:00 hs da manhã não me lembro muito da ordem das coisas. Só sei que as minhas contrações estavam mais espaçadas e que a Helena não descia o suficiente, mesmo tendo 10 cm de dilatação. Ela tinha que se mexer e fazer uma rotação de 180° para que conseguisse descer e compensar um desvio na bacia que eu tenho.

Não sei explicar ao certo o que é este desvio. O Dr. Marcos achou melhor fazer exercício com a bola, para ver se ela descia. A esta altura não tinha mais o efeito da analgesia. E eu também não queria mais, porque fiquei com medo de atrapalhar e, além disso, quase não sentia dor. Acho que a adrenalina era tanta… Fiquei mais ou menos duas horas fazendo exercício sobre a bola. E não é que a Helena conseguiu descer. A cada evolução para o parto mais eu me empolgava. Quando ela já havia descido o suficiente para o expulsivo, tomei mais um pouco de analgesia, o que foi perfeito. Às 12:32 hs do dia 25 de outubro, quando eu completava 41 semanas, a minha querida nasceu. Foi muito lindo. Meu marido e minha sogra assistiram ao parto.

O parto foi normal, graças ao Dr. Marcos e sua equipe, o Dr. Cássio e a Dra. Karla. Tenho certeza que se eu estivesse na mão de outro médico eu teria acabado em uma cesárea.