Letícia Mei – nascimento da Laura.

A descoberta da minha gravidez foi uma linda surpresa, já que não a havíamos planejado para aquele momento. Na época, meu namorado e eu morávamos há pouco tempo juntos, mas ao sabermos que teríamos um bebê, nosso relacionamento se transformou e nos sentimos ainda mais unidos. Eu sempre quis muito ser mãe e o Alexandre também se apaixonou logo pela idéia. Imediatamente, a alegria com a descoberta da gravidez espantou a insegurança que geralmente acompanha uma mudança dessa magnitude.

  Assim que confirmei o resultado, comecei o pré-natal com o Dr. Marcos que já conhecia há três anos, através do site “abcdoparto”, desde que comecei a pesquisar sobre parto humanizado, quando ainda morava no Rio de Janeiro. Apaixonei-me pela idéia e decidi que quando tivesse um bebê seria através de suas mãos, em um parto daquele tipo. Sempre me atraiu resgatar a experiência do parto protagonizado pela mulher, respeitando suas escolhas e garantindo ao momento do nascimento a sua verdadeira importância na vida de uma família.

Alexandre acompanhou-me em todas as consultas e exames. Seu apoio e participação foram fundamentais! Aliás, este é um relato da nossa gestação e do nosso parto, pois ele participou o tempo todo. As consultas eram muito divertidas e o Dr. Marcos sempre foi muito atencioso, paciente e didático, elucidando as “listinhas de dúvidas” que sempre carregava comigo! Felizmente, a pressão manteve-se normal e os resultados dos exames foram todos perfeitos.

Tive uma gravidez muito tranqüila, de intensa atividade física, acadêmica e profissional até o último dia. Esta postura, sempre encorajada pelo Dr. Marcos, teve como resultado um ganho de peso de pouco mais de 7 kg, em 41 semanas de gestação. Sem sacrifícios, apenas com disciplina. Além dos “benefícios estéticos”, o pouco ganho de peso proporcionou-me maior bem-estar e agilidade, especialmente no final da gestação, quando geralmente a grávida se sente mais pesada e indisposta. Enfim, não me sentia uma grávida de nove meses: dei aula quase até a véspera do parto, caminhava todos os dias por uma hora na esteira, pegava vários ônibus e carregava as compras mais pesadas na volta do mercado (para desespero da minha mãe)! O fato de ter engordado pouco também facilitou meu parto. Sou uma mulher de estrutura pequena e se meu bebê fosse muito grande, talvez não conseguisse ter um parto normal.

A ansiedade foi aumentando no final, como é natural. Contava os dias para que chegasse a 37a semana. Acreditava que, justamente em função da intensa atividade, Laura chegaria antes da data prevista, 07 de agosto. Isto não aconteceu, chegamos às 40 semanas e nada. Ou quase nada… Sentia contrações sem ritmo, havia perdido um pouco do tampão, mas nada de trabalho de parto ativo.

Resultado: a pressão da família e dos amigos era enorme e não posso negar, irritante. Percebi que as pessoas perderam a conexão com o tempo da natureza… Não sabem mais esperar, transformaram o parto, um momento tão sublime, em um evento com hora marcada. Todos afirmam sempre que sou uma “heroína” por ter optado pelo parto normal, porém não me canso de repetir que tudo isso é NATURAL! Para mim, sempre foi um absurdo não esperar que uma criança manifeste sua “vontade” e maturidade para chegar ao mundo. Nunca compreendi como uma mulher pode renunciar conscientemente à oportunidade de passar pelo processo natural e mágico de trazer um filho ao mundo com sua própria força.

A partir de 40 semanas, deveríamos monitorar o bebê com mais atenção, por isso teria que fazer exames de cardiotocografia regularmente. Lembro-me do primeiro que fiz. Queria tanto entrar em trabalho de parto naturalmente que, a caminho do Hospital Santa Catarina, desci do ônibus na Av. Rebouças e andei até o final da Av. Paulista! Quem conhece São Paulo sabe que é uma caminhada considerável… As contrações acompanhavam-me sempre, mas nada de trabalho de parto efetivo e a dilatação não chegava a 1 cm. Retornamos ao hospital no sábado e mais uma vez, descobrimos que não estava na hora. Felizmente, o bebê estava ótimo e isto era o mais importante.

O final foi exaustivo. Estava muito ansiosa e cansada de responder às eternas perguntas: “E aí? Já nasceu? Ainda não?! Até quando você vai esperar?”. Confesso que estava preocupada com o limite das 42 semanas e com todos os riscos que a espera prolongada poderia trazer. Perdia o sono, receosa de não entrar em trabalho de parto. Passava as madrugadas acordada me perguntando, um pouco desapontada, por que a natureza não estava fazendo a sua parte. Chorava com medo de após tantos meses de preparação e espera não conseguir sequer experimentar o trabalho de parto. Aquela ansiedade era o oposto de toda a minha ideologia acerca do parto, contrariava justamente minha defesa do “tempo natural”. Mas, não conseguia evitar… A gravidez ensinou-me a ter mais paciência e a deixar o tempo agir.

Para agravar minha apreensão, Alexandre tinha uma viagem inadiável marcada para a semana seguinte, quando eu completaria 42 semanas de gestação. Além disso, Dr. Marcos alertou-nos acerca dos riscos da espera, sempre salientando os prós e contras, nos deixando muito à vontade para decidirmos o que era melhor para nós. Eu fazia tudo o que popularmente dizem desencadear o trabalho de parto: exercício físico, comida apimentada, banho quente, muito namoro e nada…

Com 40 semanas e cinco dias, com as esperanças quase esgotadas e muito cansada emocionalmente, tivemos mais uma consulta. Era uma segunda-feira, 11 de agosto. O líquido amniótico estava reduzido e isto não era um bom sinal… Conversamos sobre as possibilidades de indução e sobre prazos. Dr. Marcos sugeriu-me uma forma de indução natural, a estimulação mamária, como última tentativa para evitarmos um parto com intervenções. Fizemos algumas tentativas ainda no consultório e conseguimos algumas contrações poderosas.

Passei numa farmácia, comprei uma bombinha manual – a única disponível – e na terça-feira fiz a estimulação durante 3 horas ininterruptas pela manhã e 3 à tarde. Tive o cuidado de anotar todas as contrações que senti durante os estímulos e, embora não fossem muito incômodas, estavam bem regulares: em torno de 5 a cada 15 minutos. Não foi fácil! No entanto, mais uma vez a disciplina cumpriu um papel essencial na gravidez. Eu queria entrar em trabalho de parto espontaneamente e estava disposta a trabalhar muito para conseguir. Havia uma frase do Marcos que repetia para mim mesma como um mantra: “trabalho de parto não se chama assim à toa! Não é descanso ou férias de parto, é trabalho de parto!”.

Neste mesmo dia, retornamos ao consultório e verificamos que o bebê estava ainda mais baixo, porém a dilatação não fora muito significativa e o colo estava alto e posterior. Dr. Marcos explicou-me que o mais importante era “trabalhar o colo”, pois a dilatação poderia progredir de uma hora para outra. Ao observar minhas anotações das contrações, disse que “se recusava a induzir meu parto” com uma resposta tão positiva aos estímulos. Sugeriu-me que descansasse naquele dia e que prosseguisse com a bombinha na quarta-feira, começando mais cedo. Voltaria ao consultório, portanto, no dia seguinte e se a medida não surtisse efeito, pensaríamos em outra solução. De todo modo, estabelecemos um prazo limite para o parto, sexta-feira, 15 de agosto, o que me tranqüilizou bastante.

Mal sabíamos Alexandre e eu, que não esperaríamos tanto! Dr. Marcos certamente já desconfiava, pois estava muito confiante no resultado da estimulação mamária. Na madrugada de quarta, 13 de agosto, por volta de 2 da manhã, acordei com contrações mais dolorosas, porém suportáveis. Como já havia sentido algo semelhante em várias outras noites, tive medo de alimentar falsas expectativas e de me frustrar novamente. Tentei monitorar a duração e os intervalos. Elas vinham de 10 em 10 minutos e duravam uns 40 segundos, mais ou menos. Não quis ligar para o Dr. Marcos temendo ser um alarme falso e esperei até que a dor piorasse e os intervalos chegassem há 5 minutos, já de manhã. Ele orientou-nos a acompanhar as contrações por mais uma hora antes de irmos para o hospital.

Mais uma hora e confirmamos o intervalo. Pegamos um táxi e fomos, com mala e tudo, para o Santa Catarina. Chegando lá, por volta de 11 hs, fizeram o toque e constataram 3,5 cm de dilatação. Tive medo de voltar para casa novamente, pois as dores já incomodavam muito. Encaminharam-me mais uma vez para o exame de cardiotoco que indicava contrações muito mais fortes desta vez. Ligaram para o Dr. Marcos que pediu que me mandassem para a LDR. Fiquei aliviada: a tão sonhada sala estava livre! Fiquei por lá, “explorando o território” e me divertindo como uma criança com as luzes de cromoterapia e a bola de fisioterapia! Fiz uma refeição leve aguardando a evolução da dilatação e a chegada do Dr. Marcos. Por volta de 14 hs, estava com 4 cm e Dr. Marcos chegou pouco depois.

Ficamos os três conversando e ouvindo lindas músicas – as minhas e as do Dr. Marcos que, aliás, tem ótimo gosto musical! Fiz exercícios na bola de fisioterapia, aguardando o momento certo para entrar na banheira, o que fiz por volta de 4 e pouco da tarde, eu acho. Foi um imenso alívio! Além da sensação agradável que a água quente proporcionou a cromoterapia, as músicas e as conversas foram instrumentos poderosos para suportar a dor que começou a aumentar demais. Naquela hora, foi possível mensurar a diferença entre um parto humanizado sem intervenções desnecessárias e um “convencional”. Não fui submetida à lavagem intestinal, tricotomia, soro ou jejum, aliás, pude lanchar quando estava na banheira! O carinho do meu marido foi essencial. Durante as muitas horas em que permaneci na banheira, ele não saiu do meu lado e repetia, sem cessar, lindas declarações de amor e palavras de encorajamento.

Ao longo da gravidez, mantive a convicção do meu desejo de ter um parto natural e fazia questão de só tomar analgesia em último caso, mas as dores estavam cada vez mais insuportáveis e eu, sempre tão controlada, estava perdendo o controle. Dr. Marcos tentou entrar em contato com o anestesista de sua equipe, mas ele estava muito longe do hospital. Ele foi muito hábil tentando me ajudar a suportar a fase mais difícil da dilatação: pedia-me para “esperar só mais meia hora” e assim conseguiu me manter sem analgesia até quase 21 hs, com 8 cm! Eu tinha muito medo de chamar alguém do próprio hospital, receber uma dose grande de anestesia, reduzir as contrações, estacionar o trabalho de parto e não sentir o bebê nascer. Enfim, sentia medo, muito medo…

Saí da banheira às 20 hs, mais ou menos, e estava com 6 para 7 cm de dilatação. Foi dificílimo não me mexer durante as contrações enquanto faziam a analgesia. Foi a maior prova de superação pela qual passei até hoje. Dr. Marcos mais uma vez, foi um grande amigo e me deu um apoio imenso. Sua ajuda foi fundamental para que eu mantivesse o controle e não acabasse recebendo mais anestesia do que o necessário. Como quis uma analgesia leve, não perdi a mobilidade, continuei sentindo dor e ainda tinha que me concentrar durante as contrações. Era assim mesmo que eu queria… Preferi ficar deitada, pois estava exausta e queria conseguir dormir um pouco. Lembrava-me de outro importante conselho no final da gravidez: “aproveite para dormir à tarde! Você deve estar descansada quando começar o trabalho de parto!”. Mas, minha fase latente foi muito longa, não dormia desde a noite anterior e eu estava realmente cansada.

Não sei em que momento Dr. Marcos rompeu a bolsa. Temi que as dores recrudescessem, mas ele me explicou que era um procedimento necessário, pois a bolsa íntegra pode retardar o trabalho de parto. Às 23 hs cheguei à dilatação total. Começaram os preparativos do expulsivo e eu já estava sem noção alguma de tempo. Aliás, eu havia lido diversos relatos que afirmavam o mesmo, que entrávamos em uma espécie de transe. Realmente, foi o que aconteceu. Ainda demoraria mais duas horas para que Laura nascesse, mas parece que tudo passou muito rápido, em minutos.

Testamos várias posições para o parto, mas não tive muita escolha já que os batimentos cardíacos da Laura caíam em algumas. O mais importante era o bem-estar dela! Em função da analgesia, perdi um pouco o “puxo involuntário” e Karlinha, assistente do Dr. Marcos, ajudou-me a distinguir as contrações. Percebi que houve um momento de tensão, os batimentos da Laura caíram bastante por um tempo que, para mim, pareceu uma eternidade e acho que Laura “subiu” um pouco. Dr. Marcos sentenciou: “Laura tem que nascer agora!”. Aquela frase deu-me uma força sobre-humana. Concentrei-me totalmente no meu corpo. Não ouvia mais nada à minha volta, nem o que diziam, nem as músicas escolhidas por mim para aquele momento tão especial… Naquele instante, vivi a experiência transcendental de que falam as mulheres que passaram por um parto normal. Experimentei uma comunhão indescritível com a natureza, com a força ancestral da mulher, com algo divino que todas temos dentro de nós. Naquele instante, eu me sentia uma deusa! Naquele instante, eu era uma deusa…

De repente, ouvi Dr. Marcos pedir-me para parar de fazer força. Eu, que sempre fora tão atenta ao que ele dizia durante as consultas, conhecia o significado daquela ordem: a cabecinha da minha filha já havia passado! Ao meu lado, Alexandre intercalava beijos eufóricos, soluços emocionados e a exclamação “nasceu!!!”. Em seguida, senti o corpinho dela saindo de mim. Não há nada mais sublime, nada mais mágico! Somente então, abri os olhos, recobrei a consciência, retornei ao mundo dos “mortais” e, na penumbra, vi minha linda Laura nas mãos do Dr. Marcos.

À 1 h e 02 minutos da madrugada, do dia 14 de agosto, nasceu nossa princesinha, com 2.630 kg, 47 cm e apgar 9/10. Como ela estava “cansadinha” foi entregue primeiro à pediatra, mas rapidamente veio para o meu colo. Foi o momento mais emocionante da minha vida e não há um dia em que não me lembre da sensação que experimentei ao ouvir o seu chorinho e olhar bem fundo nos olhos dela. Tudo foi perfeito: até a música que preencheu a sala naquele instante… “Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar…” Uma música muito especial para mim, que marcou minha infância e que sempre quis que embalasse meu bebê ao nascer. Quando gravei o CD do período expulsivo, sabia que não seria possível escolher a canção que tocaria no exato momento em que a conhecesse, mas os deuses conspiraram a favor e Todo Azul do Mar começou a soar assim que a trouxeram para mim!

Tive apenas uma pequena laceração periuretral bilateral de primeiro grau que não me causou nenhum incômodo. Amamentei na primeira hora, ainda na sala de parto ao lado do meu marido e dos meus pais que, aliás, o Dr. Marcos teve a atenção e o carinho de chamar na sala de espera. Eles ficaram maravilhados! Acostumados a tantas cesarianas eletivas na família, não imaginavam como um parto poderia ser diferente. A primeira coisa que meu pai disse quando viu Laura mamando na sala de parto foi: “é assim que um parto deve ser!”. Ainda me perguntou: “foi como você queria?”. Sim, foi como eu queria!

Até mesmo o que não fora planejado, como a analgesia, foi importante para me ensinar algumas lições. Durante a gestação afirmava para mim mesma que não deveria idealizar o parto, e sim me preparar o melhor possível para tudo o que acontecesse no grande dia. Mesmo assim, duvidava da possibilidade de precisar de analgesia, pois me considerava muito forte e controlada. Aprendi que não detemos o controle de tudo, que, às vezes, é inevitável demonstrar nossas “fraquezas” e que não há nada de errado nisso. Eu queria conhecer a dor do parto, experimentá-la, tentar domá-la se possível. Após esta experiência, percebi que o principal era alcançar meu limite e ter a consciência de que eu havia chegado ao extremo da minha resistência. Ainda assim, no próximo parto, tentarei novamente dispensar a analgesia, pois a dor, a meu ver, também cumpre um papel primordial neste processo divino. Chegar ao auge da dor para dar a vida a alguém é sublime!

A recuperação foi excelente. No mesmo dia, sentia-me “normal”: tomei banho, abaixava-me e levantava-me sem dificuldade. Tive pouco sangramento, consegui cuidar do bebê sem sacrifícios e perdi peso naturalmente. Uma semana depois já vestia minhas calças jeans e ninguém acreditava que eu dera à luz há tão pouco tempo. Dr. Marcos sempre dizia “a gravidez não precisa deixar marcas” e verificamos que ele estava certo durante a consulta pós-parto: menos de 20 dias após o nascimento, eu já havia alcançado meu peso anterior à gestação. Com duas semanas retomei as caminhadas e com um mês comecei a fazer alguns exercícios de musculação leve. Enquanto isso, Laura, que pesava apenas 2.440 kg quando saímos do hospital, alcançou 3.045 kg em menos de duas semanas e agora, com um mês e dez dias, pesa 4.020 kg, alimentada exclusivamente com o leite materno. Até hoje, a amamentação transcorre sem problemas, certamente por influência do aprendizado adquirido logo na primeira hora de vida de Laura.

Agradeço e parabenizo o Dr. Marcos Tadeu Garcia pelo magnífico trabalho e por provar que o parto normal pode ser muito diferente do que a maioria das pessoas imagina. Agradeço pela atenção durante a gravidez, pela competência na realização do parto e sobretudo, pela amizade durante todo esse tempo, relação sem a qual é impossível alcançar tal excelência de trabalho. Sentimento, aliás, raríssimo entre médico e paciente hoje em dia, infelizmente… Não poderia me esquecer da Karlinha, que me deu muito ânimo, força e carinho antes, durante e depois do parto, outra pessoa muito especial…

Não me canso de rever as lindas imagens registradas pelo Dr. Marcos! No início, relutava em mostrá-las às amigas e à família. Era como se desejasse guardar aquele momento sagrado só para mim, como se os olhares curiosos pudessem roubá-lo um pouco, profaná-lo. Este temor não durou muito. Logo exibi orgulhosa – às pessoas especiais, lógico – a nossa linda história. Fiquei feliz por perceber que aquelas imagens emocionavam a todos e mudavam a visão que minhas amigas tinham acerca do parto. Após assistir à gravação, elas, cesaristas convictas, já consideram a possibilidade de terem um parto normal…

Escrever este relato ajudou-me a relembrar e reviver o melhor dia da minha vida, mas nenhuma descrição poderá reproduzi-lo com precisão. Há elementos cuja poesia as palavras não são capazes de alcançar. Trocas de olhares, carícias, gestos, palavras ditas que se perdem nas lacunas da memória e imprimem-se na alma… Uma experiência como essa muda a nossa vida. Sinto-me mais forte, mais poderosa. Alexandre, que quando conheci há alguns anos não pensava muito em ter filhos, agora se comove com tudo o que vivemos e até anima-se com a possibilidade de um segundo bebê!

Hoje, é impossível lembrar de tudo sem me emocionar: desde o surpreendente resultado positivo, passando pela primeira ultra e o coraçãozinho batendo, os primeiros movimentos do bebê, as consultas de pré-natal, o esforço no final e o lindo parto que coroou essa fase maravilhosa, a melhor da minha vida! Concluo este relato com mais uma das inúmeras (e sábias!) frases que ouvi durante as consultas: “quando nasce uma criança, nasce também uma família”. A minha não poderia ter nascido de forma mais linda, emocionante e inesquecível!