Ligia Sanchez – nascimento do Alexandre

Nascimento do Alexandre – 19/01/2006

Pontual.

A data prevista era justamente 18 ou 19/01.

Mas esse pequeno já estava ansioso por conhecer o mundo desde o Natal…

Noite de Natal, 36 semanas completas, tudo certo desta vez – a primeira gravidez foi cercada de cuidados desde o começo, hipertensão desde o 3º mês – agora não. Alexandre está ótimo, crescendo bem, todos os fluxos excelentes, bom espaço, líquido amniótico suficiente… tudo certo. Faltando mais de 20 dias, as contrações começaram a acontecer a cada 10 minutos, quase rítmicas, justamente na noite de Natal.

Foi alarme falso, no dia seguinte não aconteceu nada, dias depois voltamos à consulta e não tinha nenhum motivo para alarme. A preocupação passou a ser o ano novo… como chegar à Pro Matre, no meio da Paulista, com 2 milhões de pessoas festejando?

Nada. Depois que entramos em 2006, não passou nenhuma noite sem que eu e Pedro contássemos as contrações. Elas começavam e paravam. Dia seguinte, de novo. Dois dias inteiros com contrações a cada 10 minutos. Na próxima consulta, o Dr. Marcos Tadeu Garcia descobriu uma dilatação de 1,5 cm, o que não quer dizer nada.

Os dias foram passando, todo mundo perguntando “E aí, é hoje?” Minha resposta era sempre a mesma: pode ser. Mas não. Ele queria ser pontual.

Não se importou nem com a lua cheia no dia 14. No dia 17 tivemos uma consulta, eu tinha 3 cm de dilatação e muitas contrações, mas sem rítmo. Decidimos fazer descolamento das membranas, para ver se afinal, o moço resolvia nascer…

Pois bem, dia 18/01, quarta feira bem quente, 5 da tarde, comecei a achar que a dor das contrações – quase que já estava acostumada com elas – estava diferente. Comecei a contar e a partir das 7 horas, eram a cada 5 minutos. Tomei um banho, esperamos mais um pouco… às 8:30 hs, ligamos para o Dr. Marcos, que não se convenceu muito, mas achou melhor irmos pra maternidade e conferir.

Na Pro Matre a enfermeira diz : “3 cm!” Pensei comigo – “isso vai demorar…”

Fomos para o quarto 107 e ficamos lá, mamãe e papai, um tanto ansiosos, mas tranqüilos, as contrações continuaram, mas eram totalmente suportáveis, tudo calmo. Dr. Marcos chegou, ainda assistimos TV, discutiram futebol… o clima era ótimo.

Entrei na famosa banheira, sonho antigo. Da primeira vez nem isso pude fazer. Água quentinha, maravilha… mas as dores foram aumentando, aumentando. Finalmente, Dr. Rodrigo chegou, saí da banheira para ele aplicar a anestesia. Sair da banheira foi duro, lá fora doía bem mais… mas a anestesia foi rápida e eficaz.

Sete cm. Duas da manhã. A partir daí, eu achava, seria como da primeira vez… é esperar os 10 cm, fazer força e pronto. Mas as coisas não foram bem assim!

O bebê não estava bem encaixado, tinha um bolsão de água por baixo e por trás, que o impedia de ir para o lugar certo. Dr. Marcos precisou fazer furinhos na bolsa, bem pequenos, com uma agulha muito fina, para que não saísse todo o líquido de uma vez, porque isso poderia fazer o cordão sair antes, o que não podia acontecer.

Nesse meio tempo, entre uma conversa e outra, voltei a sentir as contrações, fortes, mas suportáveis. Dr. Rodrigo aplicou mais um pouco de anestesia e pediu que eu esperasse uns 15 minutos pra fazer efeito. Passaram 15 e mais 15 e as dores foram aumentando.

O tempo passou, o bebê não encaixou e O Dr Rodrigo aplicou mais umas 2 vezes anestesia e as dores foram aumentando.

A essa altura, 5 da manhã, o bebê na mesma posição, tranqüilo. Dr Marcos chega perto de mim, muito sério e diz que ia esperar mais meia hora e se nada acontecesse, seria melhor mudar de conduta, antes que fosse preciso tratar como emergência.

Essa meia hora passamos discutindo, porque eu preferia, se fosse pra cesárea, que o corte fosse feito na vertical, como antigamente. Tenho alguns motivos pra achar que seria melhor. Discutimos isso entre uma contração e outra, a dor aumentando… Depois de me convencer que não seria bom porque estou muito acima do peso, passamos para outra discussão, a da laqueadura.

Em uma das consultas, há muito, eu havia dito que, se fosse necessária a cesárea, eu gostaria de fazer uma laqueadura. Mas às 5 da manhã, só eu lembrava disso. Como a cesárea não estava nos meus planos e tudo corria tão bem para o parto normal, nunca mais voltamos a falar disso, só nessa hora de desespero de causa. Dr Marcos quase enfartou. Pedro confirmou, que eu tinha falado nisso sim e entramos em mais essa discussão…

Nisto, a sala de cirurgia já estava preparada. Eram 5:30 hs

De repente, sem nenhum aviso, senti uma dor muito, muito maior. Não escutava mais nada, só pensava em anestesia. Dr Rodrigo bem que tentou me ajudar, mas era como água pura o que ele injetava.

No meio da dor, eu escutava algumas coisas, como: “calma, ele está nascendo”; “eu preciso escutar o nenê”, “uma compressa, uma compressa!”; “circular de cordão, bem apertada…”

Alexandre nasceu às 5:48 hs, com uma circular de cordão no pescoço, meio roxinho. Bem, pra mim pareceu roxinho, mas teve Apgar 10 e 10 e às 5:49 hs estava no colo da mamãe, que chorava sem parar. Uma hora depois, já limpinho e embrulhado, estava mamando.

Muito depois, já no dia seguinte, chegamos à conclusão de que eu tinha tido um parto “quase” natural, provavelmente porque o cateter saiu do lugar… Na hora, fiquei meio apavorada, até porque não esperava aquela dor depois de tanta anestesia, mas depois, quando as emoções já se assentaram, posso dizer que foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida e fiquei muito feliz em poder passar pela experiência de sentir meu bebê nascer, de sentir uma vontade incontrolável de empurrar, de ajudá-lo a vir conhecer o mundo, a vontade incontrolável de chorar depois de tudo resolvido.

Hoje Alexandre completou 20 dias e finalmente, deu um tempinho pra mamãe escrever este relato.