Luciana de Carvalho – nascimento do Theo

O sonho do parto normal se transforma…

Revelou o sonho do nascimento!!!

Minha gravidez foi planejada, esperada, muito desejada por mim e meu marido. Vivemos juntos há bastante tempo num casamento feliz e harmonioso. Um lar repleto de amor para receber o nosso filhinho(a) tão sonhado.

Mas quando surgiu o desejo de ser mãe, junto surgiram muitos medos em relação ao parto. Medos tão intensos que adiaram este sonho por vários anos. Tive que trabalhar estes medos para conseguir engravidar. E então, consegui-me sentir preparada para esta experiência.

Neste meio tempo, uma amiga havia tido uma péssima experiência no primeiro parto e foi a procura de um obstetra para um parto humanizado. Encontrou o Dr. Marcos Tadeu Garcia. Acompanhei sua gravidez, o seu parto e inclusive o parto de mais outras amigas que acabaram procurando o Dr. Marcos por indicação desta mesma amiga que teve um parto maravilhoso. Todas tiveram parto normal. Ainda não sabia que o tal ”parto humanizado” envolvia muito, mas muito mais do que a proposta do parto natural/normal.

Logo que engravidei não tive dúvidas em também procurar imediatamente o Dr. Marcos.

Já na 1ª consulta me deslumbrei com a idéia do parto humanizado, que se propõe a uma escuta sensível da mãe desde o pré-natal, o envolvimento do pai e todo um acolhimento especial ao bebê para sua chegada no momento do parto.

Dr. Marcos me passou tanta confiança e demonstrou tanta sensibilidade que logo me encantei. Outro diferencial foi perceber a importância que Dr. Marcos dava para os pais estarem bem informados sobre o processo da gestação e por tudo o que passariam. Falava sobre as escolhas que teríamos que fazer e sempre procurava propiciar as informações para que pudéssemos fazer “escolhas conscientes”.

Neste momento entendi que o parto na verdade começa no pré-natal, nesta relação que se estabelece entre pais, obstetra e bebê. Saí de lá com a certeza de que “tudo sairia bem”, comigo e com nosso bebê.

Mergulhei inteiramente nesta proposta. Minha gravidez foi tranquila, segui todas as dicas para uma gravidez saudável e para propiciar um desenvolvimento do bebê de maneira cuidadosa e amorosa. Segui tudo a risca, o que exigiu grande esforço de minha parte, disciplina e força de vontade. Isto também aprendi. Saúde e bem estar exige empenho, dedicação e muita determinação. Não “cai do céu”. Mas, usufrui dos benefícios de investir no controle saudável do meu peso, fazer hidroginástica, caminhada, acupuntura, meditação, massagens, escutar músicas bonitas, frequentar ambientes naturais, gerar pensamentos de amor para meu bebê!!! Realmente aproveitei todas as belezas desta experiência única e tão mágica.

Estava tudo tão bem e devia estar tão gostoso na minha barriga que meu bebê começou a demorar a nascer. 40 semanas, 41 semanas… os dias passando, a tensão foi aumentando, a preocupação com o bem estar do bebê e com as chances para o parto normal…um grande sonho…queria muito, muito ter o parto normal.

Alguns sustos no meio do caminho, o líquido amniótico diminuiu (foi engano do exame!!!), a preocupação com o mecônio, com o sofrimento fetal.. um fio da navalha o tempo todo. Escolhas a serem feitas. Esperar ou não esperar? Induzir ou não o parto?

O que me deixou tranquila foi a confiança no Dr. Marcos e muita informação. Fundamental. Sabia que se estivéssemos em risco, ele agiria imediatamente. E estávamos acompanhando todos os passos com muita cautela, sabendo muito bem o que estava se passando.

Quarenta e uma semanas e quatro dias. O bebê precisava nascer. Optamos por tentar a indução do parto normal e tentamos o estímulo mamário e acupuntura. Deu certo… entrei em trabalho de parto. Após horas de falsas contrações, as verdadeiras começaram, só que num ritmo galopante: 5 em 5 min. Respiração, massagens… achei realmente muito suportável. Preparei-me para isso. Sabia que tinha que relaxar, pensar nas contrações como ondas e me entregar a elas. Se ficasse nervosa e tensa, aí sim poderia perder o controle da situação. E tinha apoio de meu marido, companheiro, que estava junto, perto, muito perto, me passando tranquilidade, alegria, confiança… e fazendo muuuita massagem. Ufa!!! Sem ele e sem as massagens, acho que seria muito difícil.

Cheguei no hospital com 2 cm de dilatação e em 1 hora cheguei a 8 cm, porém com uma notícia não tão boa assim, a bolsa havia rompido. Mesmo assim estava confiante e pensei: “Vai dar tudo certo, meu bebê vai nascer de parto normal”. Estava tão disponível para esta experiência, desejava tanto o parto normal que vivi tudo com alegria e bom humor. Cada contração, doía, é claro, mas sentia que estava tudo bem, era isto mesmo que tinha que acontecer, meu corpo estava trabalhando para o meu bebê nascer… que bom!!!

O clima era de intensa alegria… Dilatação total… vimos o seu cabelinho aparecer… vou conseguir, vamos conseguir!!! Espera… espera… espera… o bebê não coroou. O tempo passando… o bebê não coroou. O clima começou a mudar… tensão em todos.

Silêncio. Mas total cumplicidade. Os olhos do Dr. Marcos já me mostravam que algo o preocupava.

Mas eu sabia que ele estava comigo e atento. Isto me fez manter a confiança e não sentir “tanto” medo.

A anestesia estava passando, comecei a sentir as dores novamente.

Vamos tentar cócoras… era a última possibilidade para ajudar o parto normal. Topei de imediato… cócoras sem anestesia, parti para o parto natural.

Neste momento entendi que as contrações surgem de um lugar muito profundo. Sentia ao mesmo tempo dor, ao mesmo tempo força. Tentava relaxar, respirar. Sabia que precisava encarar aquela dor de frente, senão perderia o sonho do parto normal, agora natural.

Quase 4 horas… o bebê não coroou. Apesar de todo meu esforço, apesar de todo o trabalho, apesar de tudo estar aparentemente favorável para o parto normal.

E então, o que temia ouvir… Mecônio. Não podemos esperar mais.

Dr. Marcos e a equipe se agitaram, começaram a se movimentar para a cesárea.

Eu… Nem sequer conseguia falar. Uma profunda tristeza e decepção tomaram conta de meu coração. Senti uma imensa frustração e por alguns instantes me senti incapaz. Não acredito que não vou conseguir.

Dr. Marcos me olhou amorosamente e disse: “Não estamos aqui para comemorar o parto, mas sim o nascimento do Theo”.

Em poucos minutos meu bebê estava em meus braços. Já estava levemente ofegante e cansado.

A Vida e a Morte. Um fio. É assim. Uma decisão errada, o tempo errado e tudo pode se perder.

Mas não. No meu caso, houve cuidado, precaução e a decisão certa na hora certa. Ainda bem que existe a cesárea. Foi o chamado “parto de bom senso”.

Meu bebê estava ali comigo, cheio de saúde, lindo, com sua vida intacta.

Não foi fácil elaborar. A tristeza bateu e ainda bate. Porque não consegui?

Mas, pensando bem, no fim das contas, acabei vivenciando os dois partos. Foi muito importante ter vivido todo o “trabalho de parto”. A espera, as contrações e emoções, antes da cesárea.

Continuo sonhando com o parto natural/normal para todas as mães e bebês que o podem ter, pois sem dúvida é o melhor para ambos.

Mas cada vez que olho para meu filhinho entendo que a Vida é maior que isso. Não temos controle sobre tudo, ou melhor, sobre quase nada, mesmo insistindo em querermos ter.

E então sinto alegria e gratidão. Uma imensa gratidão por ter conseguido engravidar, por ter tido uma gravidez tão linda, por ter conhecido o Dr. Marcos, pelo meu filhinho ter nascido com tanta saúde e estar em meus braços, por ter um marido maravilhoso e formar agora uma família linda… por… por… por… nossa, quanto a agradecer!!!

Por vezes ficamos com o que “não dá certo” segundo nossos parâmetros restritos e deixamos de reconhecer as bênçãos que recebemos do universo. Não é o meu caso. Deu tudo certo sim.

Este momento é pura beleza, sagração magia. Obrigada!!!

Luciana de Carvalho

Mãe do bebê Theo e esposa do Wagner