Parto Luciana – nascimento Nicolas

Parto coletivo

Entrei em trabalho de parto em um sábado de manhã. Ao invés de descansar, resolvi fazer tudo que ainda não estava 100%. Terminei de preparar as malas, cozinhei, separei os CDs que gostaria de ouvir e sei lá eu que mais outras coisas eu resolvi fazer. Que besteira! Devia ter descansado mais… Lembro que tinha horário agendado para cortar o cabelo… Insisti até o último instante, ou melhor, até uma contração um pouco mais forte que as anteriores.

Começamos a cronometrar a duração e os intervalos entre as contrações. Entre intervalos de 4 ou 5 minutos, uma contração de cerca de 40 segundos. Ligamos para o Dr. Marcos Tadeu Garcia e ele avaliou a intensidade da contração: Esposo me diga uma coisa, a esposa ainda está sorrindo? Meu esposo respondeu: sim, Doutor ela ainda sorri entre as contrações. Ok vamos aguardar um pouco mais.

Uma hora e meia depois, eu só chorava… Ligamos para o Dr. Marcos e ele pediu para irmos ao hospital.

Chegamos por volta das 18:00 hs, eu estava com apenas 4 centímetros de dilatação. E sentia muita dor… A enfermeira, que me avaliou, despejou aquele balde de água fria: parto normal é esse sofrimento mesmo. Sério, isso é comentário que se faça? Não havia LDR disponível, algo que disseram ser impossível acontecer, lá no curso. Eu fui para alguma sala de parto normal e fiquei o tempo todo no chuveiro.

A família foi avisada assim que fui internada. Não tenho idéia do horário que chegaram, só lembro que sentia muita dor e do meu banho ser invadido duas vezes… Isso era outra coisa que eu não queria. Eu queria privacidade e estava sendo exposta…

Após duas horas fui transferida para um dos LDR. Do chuveiro, passei para banheira. Foram cerca de duas horas na banheira, sentindo contrações mais fortes. A dor era muito intensa, eu gritava bastante. Dr. Marcos insistiu algumas vezes para eu tomar analgesia, eu sempre optei por continuar. Eu tinha a ilusão de que suportaria a dor, afinal de contas, era passageira, não durava sempre… mas enquanto durava, estava cada vez mais insuportável.

Em um determinado momento, recebi minha madrinha, minha segunda Mãe. Ela pareceu um pouco espantada com minha dor, tentou me consolar, contou-me sobre o parto do meu primo e um pouco depois ela foi embora… Essa visita durou uma contração completa!

Fui ao banheiro algumas vezes, enquanto o bebê fazia força para descer, o intestino pede para ser esvaziado… e com as contrações, é horrível. O mesmo acontece com a bexiga, urge para ser esvaziada e o seu estômago também. Eu cheguei a vomitar bílis… Eu não sabia que isso aconteceria.

Por volta das 23:00 hs, eu desisti de encarar a dor e pedi a analgesia. Agüentei o tanto que pude, apesar de imaginar que suportaria tudo. Isso foi difícil de decidir, eu realmente queria um parto natural… Agora seria um parto normal. O Dr. Marcos conversou comigo sobre isso, o mais importante era que meu bebê não nasceria de uma cesárea…

Eu tinha medo da analgesia porque é aplicada na coluna. Eu tinha muito medo, mas deu tudo certo. Em um dado momento eu sentia muita dor, três contrações depois e eu já podia dormir… Dormi por volta de 1 h e acordei com todos refeitos e prontos para receber o Nicolas.

Todos que estavam na sala ao lado puderam entrar na sala e me ver. Foi muito emocionante ver todos lá: meus sogros, meus cunhados, alguns tios do meu esposo, minhas primas, meu irmão, minha madrinha… Foi muito, muito bom vê-los nesse momento!

A partir desse momento ninguém mais entrou na sala. Só a equipe e o meu esposo, sempre ao meu lado e tentando me ajudar no que era possível.

Os procedimentos para o parto começaram: sentei na cama, pernas para o ar… risos… Várias e várias bandejas com diversos instrumentos. A bolsa de águas não rompeu naturalmente e mesmo após ser rompida, o bebê não nascia. Já era domingo, ele não quis nascer em um sábado. Tomei ocitocina para “acelerar” as contrações e um tempo depois as dores voltaram, recebi um pouco mais de analgesia. As contrações não aumentavam o bebê não nascia…

Em determinado momento, o Dr. Marcos me avisou que seria necessário a episiotomia. Eu não queria, mas ele disse que seria realmente necessário. Eu consenti. E o tempo passou e nada de ter contrações suficientes para o bebê nascer…

Cheguei a ver o fórceps nas mãos do médico, eu não entendia como o meu parto tinha chego a esse ponto. O Dr. Marcos é muito paciente, assim que descobriu que o bebê estava bem, ele esperou um pouco mais para que o bebê nascesse naturalmente…

Trocaram a ocitocina, as contrações aumentaram e aí começou o trabalho de expulsão… Parece que durou uma eternidade, cheguei ao ponto de não ter mais forças. Estava exausta e não conseguia entender direito o que me pediam para fazer. Cada vez que ele dizia que o bebê iria nascer, ele não nascia… Não sei quantas contrações levaram, sei que na última, eu disse que não dava mais e chorava sem parar… Aí ele me mostrou que o bebê estava quase nascendo mesmo: eu toquei sua cabeça com minhas mãos. Sei lá eu como, lembro do meu marido me ajudando a levantar a cabeça e o tronco… Eu me esforçando para segurar o ar e fazer força… Aí eu senti que ele saiu de mim… A cabeça e os ombros… E finalmente, estava conosco. Houve uma imensa alegria ao escutarmos seu choro: alto e bem forte! Ele nasceu às 4 hs e 04 min do dia 11/10/2009.

O cordão foi cortado pela enfermeira e meu bebê foi trazido para perto de nós… Eu chorava e o chamava de lindo enquanto tocava seus pés e suas perninhas.

Ele foi levado para a pediatra porque o expulsivo foi longo demais. Ele é um bebê forte, não teve nenhum problema em superar essa demora. O teste de Apgar ficou entre 9 e 10. Ele foi para meus braços, meu esposo estava comigo. Eu só conseguia dizer que ele era lindo… e estava muito feliz por ter um bebê perfeito…