Luciane T. Auzani – nascimento da Manuela

No dia 14 de abril de 2003, minha filha Manuela nasceu de parto normal. Graças à indicação da doula Ana Cris, na 32ª semana de gestação, cheguei ao Dr. Marcos Tadeu Garcia. Entre fevereiro e março deste ano, uma amiga, minha prima e eu tivemos parto normal com o Dr Marcos. Todas estamos ótimas e as filhas, (por coincidência foram 3 meninas) muito bem.

Até a 32ª semana, estava sendo assistida pelo ginecologista que me acompanhava há 10 anos. A cada consulta, eu reafirmava meu desejo, meu direito, de ter um parto normal (ou natural). Como todos os médicos, ele afirmava que escolha seria minha e que ele faria o possível para me atender. Quando, por volta da 28ª semana, ele disse: “ Ela está sentada, me parece que teremos uma cesárea”, me revoltei e iniciei minha busca. Minha intuição me pareceu que se confirmaria.

Já na primeira consulta com o Dr. Marcos, tive certeza de que ele faria o meu parto como havia imaginado. Logo em seguida, na 32ª semana ainda, descobrimos que havia uma circular de cordão. Segundo estatísticas, 20% dos bebês nascem com uma circular de cordão. Além disto, as falsas contrações (Braxton-Hicks) eram muito freqüentes e demoradas, o que não é comum. Não hesitamos, médicos, mãe e pai. Mantivemos nosso plano de parto.

Dia 13 às 23:30 hs senti as primeiras contrações (verdadeiras) que se tornaram regulares durante a madrugada (meu marido e eu não dormimos nada). Às 4:30 hs, vinham com intervalos de menos de 5 min e com duração de 1 min. Às 6:00 hs ligamos p/ o Dr. Marcos e às 7:20 hs já estávamos numa das suítes de parto da Pro Matre. Quando cheguei à maternidade a dilatação era de 8 cm, o que indicaria um parto rápido. Não foi o que aconteceu, as contrações “regrediram”.

Durante todo o trabalho de parto, meu bebê foi monitorado com um aparelho portátil. Assim, com toda mobilidade, entrei na banheira (meu marido massageava minhas costas), caminhei, escolhi com o médico as posições para o período expulsivo. Por volta das 11 hs, decidimos que seria necessário conduzir o trabalho de parto com ocitocina, as contrações haviam regredido radicalmente.

Foi assim, sem nenhuma anestesia, sem episotomia, sem tricotomia, com muito bom humor, boa conversa e música que evoluiu o meu trabalho de parto.

A Manuela nasceu às 14:29 hs. Depois de ser avaliada pelo neonatologista, tinha duas voltas apertadas de cordão no pescocinho, foi entregue a mim. Em seguida, o pai deu o primeiro banho a meu lado. Então, a amamentei pela primeira vez, os olhos dela e meus não desviaram nenhum instante. Manuela olhava para mim como que me descobrindo, é ela. E, é assim, sempre me olhando, que ela mama em meu peito.

Nesses momentos inesquecíveis, eu estava absolutamente ativa, feliz e tolerando a dor. Por volta das 16:30 hs, tomei banho sozinha. Manuela ficou conosco no quarto até a alta no dia 16.

Vale falar um pouco da dor. Embora muito intensa a dor era plenamente suportável. Principalmente por que esta dor tem hora para acabar. E quando acaba, tua filha está nos teus braços, no teu peito. Um pouco de auto-confiança, otimismo e coragem também ajudam. Mas essas são qualidades de todas nós que somos (ou seremos) mães e estamos fazendo coisas que há pouco tempo nos parecia impossível. Assim, é a natureza humana.

Sentir o trabalho de parto, o bebê nascendo não tem preço.

Escrevi este relato no dia em que a Manuela completou 1 mês. Hoje, aos 38 anos, estou na 37ª semana de minha 2ª gestação. Dr Marcos, Carlos, Manuela e eu estamos aguardando o nascimento do irmãozinho da Manu a qualquer instante.

Boa hora a todas (e a todos os pais)! Um abraço.

Luciane T. Auzani

03/02/2006