Relato de Marcos Alexandre – nascimento do Mateus

Nasceu o pequeno Mateus. Em hebraico o nome Mateus significa dádiva ou presente de Deus. E é exatamente isso o que este menino tem representado em nossas vidas. Há muito tempo queríamos ter um filho, e agora o nosso sonho é uma realidade. Hoje o Mateus completou 18 dias de vida.

CONCEPÇÃO E GRAVIDEZ:

Em 1992, a Raquel chegou a engravidar, mas com 3 meses de gestação foi constatado que o bebê não tinha se desenvolvido como devia. Depois de mais 2 semanas, feita nova ultrassonografia ficou configurado um aborto retido, e ao mesmo tempo a Raquel começou a apresentar sangramento. Depois da curetagem a Raquel ficou arrasada. Foi difícil superar o sentimento de ter perdido o primeiro bebê. Com isso os hormônios da Raquel entraram em descompasso. A taxa de prolactina ficou muito alta, durante anos. Fizemos vários exames onde foi constatado que não havia ovulação. E ela começou a apresentar sintomas rejeitando a medicação de controle dos hormônios. A solução foi a homeopatia. Com calma, a taxa da prolactina foi caindo gradativamente, e os outros hormônios foram se estabilizando também, num processo que demorou uns quatro anos.

esde 2000, sabíamos que estava tudo bem com a Raquel, ovulação normal, hormônios controlados, mas não conseguimos uma nova gravidez. Em março de 2005, a Raquel leu o livro Fertilidade Natural, dos autores Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi e Dra. Daniella Spilborghs Castellotti (vejam os sites www.fertilidadenatural.com.br e www.ipgo.com.br). Neste livro é mencionado que acupuntura associada a outros tratamentos convencionais de infertilidade apresenta ótimos resultados, tanto para causas femininas quanto masculinas. Numa consulta de rotina no final de agosto/2005, o ginecologista dela aconselhou que deveríamos procurar um tratamento mais radical se quiséssemos mesmo um filho, e sugeriu que procurássemos um especialista em reprodução humana.

A Raquel estava completando 42 anos. E mandou começar a tomar comprimidos diários de ácido fólico, que seria muito importante numa possível gravidez. Em paralelo, a Raquel começou a fazer acupuntura duas vezes por semana, durante todo o mês de setembro. A consulta com o Dr. Arnaldo que estava inicialmente agendada para o meio de setembro, foi transferida para o final do mês. Mais precisamente dia 28 de setembro, segundo dia de um ciclo menstrual da Raquel. O tratamento com hormônios visando uma fertilização in-vitro poderia começar logo no dia seguinte, no terceiro dia do ciclo. O Dr. Arnaldo se espantou com a “coincidência”. Mas acreditamos na providência divina, e Deus estava abrindo as portas para podermos realizar o nosso sonho de gerar um filho. Com um exame de ultrassonografia nos ovários, o Dr. Arnaldo constatou que com a Raquel estava tudo certo.

A única dúvida era quanto a mim. Com dois telefonemas marcamos um retorno para o dia seguinte à clínica, e iríamos contar com a presença de uma bióloga, que daria o resultado de um espermograma meu, na mesma hora. Se o resultado deste exame fosse satisfatório, iniciaríamos no mesmo dia o tratamento para realizar a fertilização in-vitro.

Bem, pelos exames feitos, poderíamos então realizar o tratamento. A Raquel começou a tomar os medicamentos para induzir a ovulação no terceiro dia do ciclo. No décimo segundo dia foram colhidos 9 óvulos. Quatro estavam maduros e foi feita a fecundação. Depois de 3 dias, três embriões estavam em boas condições e foram implantados na Raquel. No dia anterior a Raquel havia feito a décima primeira e última sessão de acupuntura.

Só então contamos para toda a família que fizemos esta tentativa de fertilização in-vitro. A expectativa estava muito alta. Passado o devido tempo, pelo exame de sangue constatou-se que a Raquel estava grávida. Foi a maior felicidade. Avós, tios e primos, todos queriam saber passo a passo como estavam os embriões. Todos torcendo por gêmeos ou trigêmeos.

Com um exame de ultrassonografia foi confirmada a presença de um único saco gestacional. Vieram os exames ultrassonográficos de translucência nucal, na 12a semana, mas ainda não sabíamos o sexo do bebê, e morfológico na 24a. semana. A médica que realizou este ultrassom desenhou um boné na imagem de perfil da cabeça da criança, e falou que estávamos esperando um menino. A emoção foi muito grande.

A gravidez ocorreu na primeira tentativa de fertilização in-vitro, numa mãe com 42 anos, idade que muitos consideram avançada. O tratamento para a fertilização in-vitro foi muito rápido e superou as nossas expectativas. Decorridos 3 meses, com a gravidez bem consolidada, a Raquel continuou o acompanhamento pré-natal, normalmente, com o seu ginecologista, como em qualquer outra gravidez. E tudo transcorreu muito bem, sem nenhum problema detectado. A pressão da mãe estava sempre normal, e os batimentos cardíacos do bebê também.

Com 37 semanas de gravidez tomamos um susto. O médico do pré-natal falou que com 38 semanas ia marcar o parto, que de jeito nenhum ia esperar até a 40a. semana. Quarenta semanas de gestação é para quem pretende parto normal. Como pela idade da mãe, o bebê corre o risco de “entalar” num parto normal, então o parto cesárea deveria ser realizado com 38 semanas e meia. Não era isso que tínhamos em mente. Comentamos o problema com a Isabel, irmã da Raquel. E, Deus estava novamente indicando o caminho a seguir. No dia seguinte, na aula de italiano da Isabel, a tarefa era escrever uma carta para um parente. A Isabel escreveu uma carta para a sua irmã Raquel, mencionando que ela também estava aflita com a situação de fazer o bebê nascer com 38 semanas de gestação. No final da aula, a Rosana (professora) chamou a Isabel e indicou o nome do Dr. Marcos Tadeu Garcia .

A Rosana tinha feito o parto da sua filha com este médico. Pesquisamos na internet e chegamos ao endereço do médico. Mais uma “coincidência”. O consultório deste médico fica a 6 quarteirões de casa. O Dr. Marcos Tadeu foi muito atencioso desde o primeiro contato por e-mail. Depois conversamos por telefone durante quase uma hora, e não éramos ainda nem cliente dele. Marcamos uma consulta, e o Dr. Marcos mostrou vários partos realizados por ele e sua equipe, e nos informou sobre várias possibilidades do que poderia ocorrer durante o parto.

Trocamos de médico com 38 semanas de gestação completadas.

TRABALHO DE PARTO:

A Raquel começou a sentir contrações na quinta-feira, dia 29 de junho. Mas eram contrações fracas e irregulares. No domingo, dia 2 de julho, pela manhã as contrações começaram a ficar mais regulares. Por orientação do Dr. Marcos, fomos ao São Luiz para averiguar, mas a dilatação ainda era pequena, e o fato da Raquel ficar sentada durante o percurso até a Maternidade acabou fazendo com que as contrações diminuíssem o ritmo. Então voltamos para casa. Na segunda, passando no consultório do Dr. Marcos, a dilatação tinha avançado um pouco, mas as contrações ainda estavam espaçadas e irregulares. O bebê se encontrava alto e não estava completamente encaixado, e isto dificultava a dilatação que progredia num ritmo muito lento. À noite o intervalo entre as contrações começou a cair, ficando na casa dos 8 a 10 minutos.

Já na manhã de terça, a Raquel apresentou um sangramento, e marcamos com o Dr. Marcos uma visita ao consultório às 14:00 hs. A Raquel já estava em franco trabalho de parto, e acabamos indo direto do consultório para a Maternidade. A internação foi por volta das 16:00 hs, do dia 4 de julho.

Como queríamos tentar um parto natural, fomos para o Delivery do São Luiz, e começamos a esperar a dilatação se completar. Para relaxar, a Raquel entrou na ducha e quase virou uma uva passa. Ficou lá aproximadamente 2 horas, ouvindo música de um CD que levamos, e quase nem sentia as contrações. A Simone, enfermeira obstetra, que também estava nos acompanhando ficou conversando com a Raquel, ajudando-a a relaxar. Mas a dilatação ainda era metade da desejada, e o bebê continuava muito alto. De tempos em tempos, os batimentos cardíacos do bebê eram monitorados para verificar se estava tudo bem com ele. O Dr. Marcos resolveu romper a bolsa, fazendo um furo pequeno, esperando que a saída do líquido amniótico ocorresse bem devagar, mas na próxima contração a bolsa estourou por completo. Foi um momento tenso. O Dr. Marcos controlou a saída do líquido com a mão, enquanto os batimentos cardíacos do bebê eram monitorados pela Simone, e só relaxamos quando soubemos que o bebê tinha encaixado, e não corria mais risco do cordão umbilical ficar preso debaixo da cabeça do bebê, embora ele ainda continuasse alto.

Nos dois últimos exames de ultrassonografia, feitos com 36 e 39 semanas, acusaram quantidade de líquido amniótico normal. Mas, a Raquel estava com o triplo do que é considerado normal. Por isso, o bebê ficava literalmente boiando e não encaixava. Depois de esvaziada a bolsa, juntaram-se à equipe o Dr. Rodrigo, anestesista, e a Dr. Alessandra, assistente. Nisto já estávamos na madrugada do dia cinco. A dilatação estava em 8 cm às 0:30 hs, mas as contrações não estavam muito eficientes. Então foi feita uma condução do trabalho de parto com ocitocina, para tentar aumentar a eficiência das contrações, e o bebê precisava abaixar e chegar na posição correta. Com a condução, e a condição de bolsa rompida, as dores em cada contração começaram a ficar muito fortes, e a Raquel pediu analgesia. À 1:35 hs da madrugada, enquanto a Raquel estava recebendo analgesia pelas mãos do Dr. Rodrigo, eu recebia os primeiros parabéns do dia. É que, há 46 anos atrás, eu acabara de nascer.

A Raquel tinha ouvido relatos de algumas amigas dizendo que o início da analgesia era doído. Mas, pelas mãos hábeis do Dr. Rodrigo ela não sentiu absolutamente nada.

Com a condução, o bebê começou a descer para a posição correta, o colo afinou por completo, mas, a dilatação não evoluía como precisava, continuava praticamente igual, em 8 cm. Era necessário um pouco mais de tempo para o bebe terminar de descer, atingindo a dilatação completa e termos um belo parto normal. Eram 3:30 hs da madrugada, e o tempo havia acabado. O bebê começou a mostrar sinais de cansaço, e a cada contração o seu ritmo cardíaco diminuía bastante. Não valia mais a pena esperar um parto normal, pois, a partir daí, o bebê poderia entrar em sofrimento fetal, e correríamos o risco de prejudicar o bebê. Então, o parto da Raquel acabou mesmo em cesárea. Mas com a firme convicção de que a cesárea foi feita apenas para salvar o bebê. E o trabalho de parto sendo quase completo, desencadeia uma série de benefícios para a mãe e o bebê, entre eles ajuda a secar os pulmões do bebê antes do nascimento. O Mateus nasceu às 4:02 hs, pesando 3.670 Kg e medindo 50,5 cm. Aí então, recebi o segundo parabéns do dia. Depois de feita a cesárea, ficamos na sala do Centro Obstétrico, ouvindo uma linda melodia de flauta, enquanto o Mateus fazia a sua primeira mamada, e a Raquel se recuperava da anestesia. No final, logo após a primeira mamada, o Mateus acabou soltando mecônio, já colocando em funcionamento o seu aparelho digestivo. Foi muito emocionante ficar junto da Raquel, curtindo o nosso bebê por duas horas após o nascimento. Essa foi uma experiência única. E digo que ganhei um belo presente de aniversário para a vida toda. Eu nasci em 05/07/60, e o Mateus em 05/07/06.

Agradeço primeiramente a Deus por este imenso presente que recebi, o nascimento do Mateus. Deus seja louvado. Agradecemos também a Deus por ter colocado em nosso caminho duas equipes médicas muito competentes.

A primeira equipe, liderada pelo Dr. Arnaldo, que realizou a fertilização in-vitro, resultando em gravidez na primeira tentativa, e a segunda equipe liderada pelo Dr. Marcos Tadeu, que trouxe o pequeno Mateus para os nossos braços. Que Deus abençõe ricamente os profissionais que compõe estas duas equipes médicas, e que outros casais também possam ser abençoados com o carinho e dedicação destes profissionais.

Marcos Alexandre e Raquel, casados a 15 anos e 7 meses, e Mateus, 18 dias.