Rita – nascimento da Manuella

Manuella é um nome de origem hebraica e quer dizer abençoada por Deus. Nunca, nem por um instante quando escolhemos o nome, imaginamos o quanto isso era verdade e o quanto esse era o nome certo para ela.

Manuella nasceu abençoada, vitoriosa, nos dando a certeza de que era mesmo a sua vez de vir a esse mundo e ela brigou fortemente por isso.

A Manuella foi feita num feriado de 7 de setembro de muito sol, cerveja, piscina e gargalhadas com amigos de faculdade. Claro que não tudo ao mesmo tempo… hehehehe!

Cinco dias antes da data que deveria descer a menstruação eu estava me sentindo diferente. No fundo a gente sabe. No dia que deveria descer a menstruação fui no Dr. Marcos e pedi um beta. Dito e feito, positivo!!!

Minha Manuella estava na minha barriga!

Descobri a gravidez com 4 semanas. Com 5 semanas e 4 dias, o primeiro susto. Um pequeno sangramento.

Liguei para o Marcos e ele me pediu calma e repouso mas, parece que o danado sabia que a Manuella estava bem. E não seria o último susto. Mais sangramentos. Com 5 semanas e 6 dias. Dessa vez mais intenso e com coágulos. Desabei. Achei que tinha perdido o meu bebê mas, na verdade, tinha perdido a fé. Apesar do Marcos tentar me tranquilizar, eu peguei o pedido de USG e fui para o laboratório. Resultado: um coração batendo forte!!

E conseguimos escutar com 5 semanas e 6 dias! Um milagre! Pela USG eu estava de 6 semanas e 2 dias mas, era apenas um detalhe… eu estava grávida, minha filha estava bem e o médico que fez essa USG foi tão gentil que eu decidi que ele me acompanharia a gravidez toda. E assim foi feito. Dr. Marcelo Santucci, do Lab. Fleury fez cada USG nossa e comemorou com a gente cada semana de gestação, desde o começo.

Repouso ainda… com 7 semanas mais um sangramento, ainda mais importante. Dessa vez não fui fazer USG, confiei em mim, no meu marido e no Dr. Marcos.

Continuei com o repouso e com muita ingestão de líquidos como o médico me recomendou. Tinha muito medo mas, ainda tinha fé.

Com 9 semanas, mais uma USG e pimba! Lá estava a minha pequena, linda e perfeita. Só que eu só fui sossegar com 12 semanas e depois de fazer o morfológico de primeiro trimestre.

Começou o segundo trimestre e tudo ficou colorido. A gente até esquece que está grávida, não fosse pela barriga que começa a despontar. Com 20 semanas, o morfológico de segundo trimestre. O médico esqueceu de citar no pedido que era morfológico então fizemos uma USG simples. Eu não ia fazer de novo, pois vi que a Manuella estava bem apesar de não ter dado para ver o sexo e eu estar suuuuper curiosa. Mas, o Marcos me disse que era importante e ele estava certo mais uma vez. Eu tinha decidido fazer a USG dalí umas 2 ou 3 semanas.

Dias depois, num sábado, eu estava arrumando umas coisas no quarto da Manuella (a gente ainda não sabia que era menina) e me deu um “click”. Falei com o Rodrigo que achava que o bebê ia chegar antes da hora e que queria fazer uma USG naquele dia mesmo. Ligamos para o laboratório e agendamos para o dia seguinte, um domingo!

Estava chovendo horrores, fui dirigindo, o Rodrigo dormindo pois era muito cedo. Durante essa USG, que é super longa, só coisas gostosas e boas notícias. Era uma menina!! E perfeita! No final do exame, na hora de examinar o colo do útero, a bomba. O médico pediu autorização para fazer a USG transvaginal e deu com o segundo piano na nossa cabeça. Eu estava com sinal claro de “dedo de luva”, colo trabalhado, 1,4 cm de espessura, quando deveria ter pelo menos 3cm!

Saí de lá sem chão. O Marcos Tadeu me atendeu em pleno domingo no seu consultório.

Como é difícil tomar decisões grávida. E eu tive que escolher entre o repouso absoluto e a cirurgia de cerclagem de colo uterino. Escolhi a cirurgia baseada em informações que já tinha das listas na internet, num filme do procedimento que o médico me mostrou e nas evidências que a sua experiência profissional apontava.

Nessa hora foi muito importante ter a certeza de que estava sendo assistida por um profissional de primeira, que estava ali para me ajudar, me acalmar, me tranquilizar. Essa relação de confiança foi muito importante para nós. O obstetra se tornou o meu porto seguro, meu amigo. Afinal, o procedimento realizado as 22 semanas de gestação implica no risco de trabalho de parto prematuro e rompimento da bolsa das águas durante a cirurgia.

Fizemos a cirurgia dois dias depois. Anestesia raquidiana, pavor de agulhas, pânico em machucar a minha filha. Mais uma vez, a certeza de que acertamos na equipe. O anestesista, Dr. Rodrigo foi um anjo. Muita paciência, muito carinho, muito calor. A anestesia foi tão difícil de fazer que ficamos quase 1 hora tentando! Um absurdo e eu sofri muito. Mas, eles não desistiram. Nem eu!

A cirurgia foi um sucesso! Fiquei internada apenas 1 dia para prevenir um TP prematuro com medicação. Saí do hospital super bem. Fui operada no Albert Einstein e fiquei na parte da maternidade onde eu já havia escolhido que a minha filha ia nascer.

Nem parecia que eu tinha feito a cirurgia… não sentia nada. Se não fosse os exames de toque para avaliação do colo que eu teria que fazer dali para a frente, eu diria que nada mudou nas nossas vidas.

Eu estava com 23 semanas e o Dr. Jorge me passou um estudo onde 80% das gestantes que passaram pelo procedimento conseguiam segurar o bebê por pelo menos mais 8 semanas. Eu queria chegar pelo menos até 32 semanas e qual não foi a nossa surpresa que a Manuella só nasceria de 39 semanas! O colo ficou intacto até o dia do nascimento e o fio só foi retirado depois do parto.

O resto da gravidez foi tranquilo, com repouso relativo. Com 35 semanas, o terceiro piano na nossa cabeça: Manuella pélvica, diabetes gestacional e pressão arterial subindo. Eram os sinais que o meu corpo mandava dizendo que havia chegado ao seu limite e que eu deveria ter mesmo feito uma dieta antes de engravidar.

Insulina, pavor de agulhas de novo, Manuella agora podálica.

De repente, outro insight. Decidi deixar a Manuella virar por conta própria. Não fiz nada para ajudar. Não fiz exercícios, nem pensei em fazer a versão externa, nada! Eu conversava com ela todos os dias, pedia que ela fizesse o que fosse melhor para ela. E ela fez. Continuou podálica, bem quietinha, olhando quase sempre para a frente.

Como a minha pressão arterial continuava subindo, eu não poderia aumentar o hipotensor sem prejudicar a bebê e com contrações doloridas, decidimos fazer a cesárea. Fizemos uma USG com 38 semanas e 5 dias e marcamos a cesárea para o dia seguinte. Um minuto antes do parto, já no CC mais uma USG e a Manuella continuava podálica, olhando para a frente.

Fizemos a cesárea. Mais uma vez contei com uma super equipe e o Marcos, Karla, Rodrigo e Débora foram anjos nas nossas vidas. O Dr. Rodrigo era pai fresco, o seu bebê havia nascido há 2 ou 3 dias e mesmo assim, ele foi fazer a minha anestesia pois sabia o quanto era importante, dolorido e difícil para mim. Se eu tivesse feito com um anestesista de plantão eu teria terminado com uma anestesia geral, tenho certeza. As enfermeiras do hospital me deram muita força nessa hora, seguraram a minha mão e a minha barra.

O parto foi difícil, os pezinhos saíram primeiro e ela não respirou espontaneamente.

Manuella nasceu no dia 24/05/2006, às 15:42 hs, 4.250 kg, 52 cm, apgar 6/10.

Depois do nascimento o Marcos e a Karla viram que eu tinha cordões no útero, como pilares, de cima a baixo. O termo “técnico” é sinequia. É causa de infertilidade e abortamento. O Dr. Marcelo que fez as minhas USG tinha visto essas sinéquias durante os exames e achou que fossem bridas amnióticas. Só depois do parto é que vimos o que era realmente mas, já havíamos sido avisados. A cabeça da Manuella estava encaixada no meio de duas delas, presa. Por isso ela não virou e pode ser por isso que eu estava com o colo trabalhado na metade da gestação. As sinequias foram retiradas e as feridas cauterizadas. Depois disso, me fecharam e ainda tive que tirar os pontos da cerclagem, via vaginal.

A neonatologista que atendeu a Manuella foi muito gentil, paciente, respeitou nossas escolhas e permitiu a presença do pai o tempo todo. Inclusive foi o Rodrigo que ficou segurando o oxigênio. Ela não mandou a Manuella para a UTI porque a mãe era diabética e não receitou complemento. Ficamos muito satisfeitos com a equipe do hospital que assistiu ao nascimento. A Manuella chegou no quarto junto comigo. Ninguém acreditava nos obstáculos que a Manuella tinha transpassado para nascer!

Minha recuperação foi excelente. A certeza de que fizemos o melhor para nossa filha e a competência da equipe contribuiu e muito. Se eu não acreditasse tanto no nascimento de maneira natural, eu seria daquelas cesareadas que falam maravilhas da cirurgia. Não andei arqueada, não tive gases, não tive dor. Fui tirar os pontos no consultótio dirigindo. No dia seguinte do parto o Dr. Marcos foi me visitar e ficou impressionado com a minha recuperação. Perguntou se a gente queria mudar alguma coisa e nós dois respondemos a mesma coisa: nada. Foi tudo perfeito, foi tudo do jeito que a gente escolheu. A Manuella lutou contra estatísticas desde o começo e quis ser diferente mesmo.

Hoje, só tenho a agradecer.

A Manuella por sempre ter conversado comigo dentro da minha barriga e permitido que eu não a machucasse tentando virá-la ou nascesse prematuramente não fazendo a USG morfológica.

Ao Rodrigo, meu marido, por seu amor e sua serenidade em me manter centrada na saúde da nossa filha quando os sustos me tiravam o chão. Ao Dr. Marcos Tadeu Garcia por ter sido meu amigo, por sua paciência, competência e disponibilidade, por ter cuidado tanto de mim e da Manuella.

A Dra. Karla que sempre me fez rir e esquecer a parte ruim de tudo. Ao Dr. Rodrigo por ter sido perfeito, por ter o carinho de aplicar uma anestesia local em mim antes de pegar minha veia, por ter feito tudo ficar mais fácil e menos dolorido. Se eu tiver que tirar uma unha eu conto com ele, para sempre.

A Debora, que foi minha amiga e me salvou das enfermeiras que queriam me picar antes que eu fosse para o CC e registrou todo o nascimento da minha filha.

A minha família, por todo o seu apoio, sem questionamentos.

A Deus por me permitir ser mãe.

Eu amo todos vcs, que de alguma forma, permitiram que a gente atingisse o nosso objetivo, que era trazer a Manuella saudável ao mundo!

Obrigada.