Roberta Santini – nascimento da Amelie

Cesárea Humanizada

Meu nome é Amri e vou relatar o parto da minha esposa Roberta.

No inicio da gravidez a Roberta estava descontente com o tratamento de sua médica e muito preocupada com a possibilidade dela partir para a cesárea por comodidade. Eu particularmente acreditava que estava tudo certo e que ela estava preocupada demais, até que um dia depois de uma longa conversa a respeito comecei a entender melhor do que se tratava e fomos em busca de um novo médico. Depois de uma longa busca, tivemos nossa primeira consulta com o Dr. Marcos Tadeu Garcia e a Roberta voltou para casa aliviada, com a certeza de que tinha encontrado o que buscava.

Como a Roberta já estava com 27 semanas de gravidez, tivemos pouco tempo para discutir todas as duvidas mas o Dr. Marcos esclareceu pacientemente uma a uma. Durante o processo nossa princesa virou para a posição pélvica e a Roberta passou a se preocupar com a possibilidade dela não se posicionar para o parto normal. Algumas semanas depois o fato se confirmou, com 38 semanas as chances eram pequenas, e mesmo incentivados a esperar por uma possível mudança a Roberta começou a se desgastar no final da gravidez e surgiu a grande dúvida : Fazer uma cesárea eletiva e colocar um ponto final na angústia da espera e todos os inconvenientes que acompanham a fase final, ou esperar que ela virasse ?

Para facilitar a decisão fizemos um ultra-som diferenciado por recomendação do Dr. Marcos e pudemos constatar que havia uma circular de cordão. A esta altura do campeonato tanto a Roberta como o Dr. Marcos estavam convictos de que melhor seria fazer uma cesárea entre a 39° e a 40° semana. Mesmo com a convicção científica, a Roberta não estava totalmente contente com a idéia de agendar a cesárea, era estranha a idéia de estabelecer o dia de nascimento da nossa filha, houve portanto uma angústia por ter que tomar esta decisão.

Dois dias antes de completar 39 semanas a Roberta começou a sentir contrações repetitivas e fomos para o hospital, considerando que a hora pudesse estar chegando, no final foi um alarme falso mas serviu como um simulado para o que nos aguardava.

Com a cesárea agendada para uma quinta-feira, 5 de maio, saímos no dia 1º de maio para almoçar com a mãe da Roberta e nossa sobrinha. Na churrascaria a Beta comeu bastante e fizemos muitas brincadeiras dizendo: já pensou se o parto fosse hoje e etc. A noite alugamos um filme por engano e quando começamos a assistir e logo na primeira cena, pasmem, uma mulher dava à luz a uma menina e morria no final do parto. Nos pegamos um olhando para o outro e dizendo: você acha que isto é filme para se assistir nesta semana? Já imaginou se fosse hoje? Mal sabíamos que seria realmente naquela noite.

À 1:30 hs da madrugada de segunda para terça, estávamos dormindo quando a Beta deu um grito dizendo: rompeu a bolsa, rompeu a bolsa. Eu pensei que era brincadeira, naquele dia apesar de feriado eu havia trabalhado o dia todo para adiantar a semana, sabendo que o parto seria na quinta. Minha sogra que tinha planos de acompanhar-nos no hospital não tinha dormido direito na noite anterior e estava em sono profundo quando a bolsa rompeu. A única pessoa calma naquela hora era a Roberta.

Apesar de estarmos todos extremamente cansados, seguimos para o São Luiz com uma dupla alegria, havia chegado a hora e mais do que isso, a data não foi escolhida por nós.

Em contato constante com o Dr. Marcos pelo celular, ele nos instruiu a fazer um ultra-som assim que chegássemos no hospital. Ele ainda acreditava na possibilidade da nossa filha virar. A cesárea ficou agendada para às 07:00 hs da manhã pois o Dr. Marcos queria esperar a Roberta entrar em trabalho de parto. As enfermeiras não entendiam porque o médico não fazia logo o parto, já que a Beta estava com a bolsa rota, a Roberta tinha muito medo que o bebê pudesse ingerir mecônio, mas fomos aguardando pacientemente as instruções do Dr. Marcos que nos ligava constantemente no celular. Quando ele chegou no São Luiz a Roberta já estava em trabalho de parto e sentíamos um misto de alegria por saber que a espera tinha um significado e uma angústia por temer que a Amelie ingerisse mecônio.

Às 06:00hs da manhã fomos para o centro cirúrgico, eu fiquei aguardando do lado de fora para a aplicação da anestesia, comecei a lembrar do filme da noite anterior e imaginar coisas ruins, mas depois de uns 40 minutos o Dr. Marcos me chamou e eu pude entrar no centro cirúrgico. Mesmo com a anestesia a Roberta se emocionou no início da cesárea, não era este de parto que ela buscava. Infelizmente a primeira fase demora um pouco e tínhamos aquele sentimento de apreensão. Como seria nossa filha? Nasceria saudável?

Como o nenê estava na posição pélvica, a retirada do bebê impressiona um pouco, mas como eu havia visto um vídeo no consultório do Dr. Marcos, exatamente igual, me senti tranqüilo. Sabia que aquele era o procedimento.

Devido às condições, 39 semanas, posição do bebê, rompimento da bolsa, etc., o Dr. Marcos havia nos alertado que nossa filha poderia nascer não tão vigorosa como estávamos esperando e devido ao mecônio ele até preferia que ela não chorasse no momento do parto, mas não foi o que ela fez. Ela soltou um sonoro choro!

Como resultado de todos estas cautelas, lhes conto que o índice de Apgar da nossa filha foi 10.10, surpreendendo todas as expectativas, mas reforçando a idéia de que a conduta humanizada contribuiu muito para a saúde de nossa filha.

Depois dos procedimentos padrão, o Dr. Marcos conseguiu com muito jogo de cintura que a Roberta pudesse amamentar no próprio centro cirúrgico, e colocou uma música, abaixou a luz e a Amelie pôde mamar por quarenta minutos.

A Roberta tinha muita preocupação de ter que ficar sozinha depois da cesárea, na fase de recuperação da cesárea, porém o Dr. Marcos também conseguiu evitar isso, ficamos nós quatro no centro cirúrgico, até ela ser liberada para o quarto.

Como resultado passamos por todo o processo sem sentir aquela frieza que temíamos por ser uma cesárea e para ser sincero a Roberta ficou tão feliz ao ver pela primeira vez nossa filha que a partir daquele momento pouco importava que havia sido uma cesárea, ela simplesmente se atentava para a beleza da filha e se orgulhava por ter conseguido prover para ela um processo o menos traumático possível e que era confirmado pelo índice de apgar nota 10.10

Apesar do cansaço a Roberta insistiu no alojamento conjunto, com isso estivemos em contato com nossa filha o tempo todo. Nosso quarto permitia dois acompanhantes, portanto eu e minha sogra revezamos nos cuidados com a Amelie, para que a Roberta pudesse dormir um pouco. O Alojamento conjunto foi muito importante, pois ao irmos para casa simplesmente havíamos trocado o ambiente, a rotina com o bebê já estava regulada.

Hoje é dia das mães e decidi escrever este relato nesta data para homenagear a Roberta pela excelente mãe que tem sido para nossa filha.

Agradeço ao Dr. Marcos que muito contribuiu para que a cesárea da Roberta fosse humanizada e à sua equipe a Dra Karla e o Dr. Rodrigo que também desempenharam um papel fundamental em tranqüilizar a Beta durante o processo.

Hoje nossa filha está com 12 dias, é calma, já engordou mais de 150 gramas e todas as vezes que olhamos para ela nos perguntamos porque somente depois de 14 anos de casados fomos ter nosso primeiro bebê.