Tipos de parto

Anike: Eu me lembro bem quando estava grávida do meu primeiro filho, aquelas conversas de
comadre como: “parto normal é bem melhor”, ou então, “eu se tiver outros filhos só vou fazer
cesária, quase morri no parto normal!!”, enfim, qual é o melhor parto?
Resposta: Segundo o Ginecologista e Obstetra da Maternidade São Luiz, Dr. Rubens
Gonçalves Filho, o melhor tipo de parto, desde que não existam condições que o contraindiquem
– como o fato da gestante ser portadora de doenças cardíacas graves, ou bebês
muito prematuros – é o parto normal. A recuperação materna é mais rápida, o leite vem mais
rápido, o bebê tem um nascimento menos traumático, pois acontece na hora em que a
natureza decide que ele tem de nascer, e não o médico ou a mãe!
Saiba mais sobre partos e suas etapas

NORMAL
A analgesia do parto normal é suficiente para dar alívio à dor sem tirar a mulher do
comando da situação.
Os obstetras mais atualizados procuram fazer partos naturais sem intervenções. Mas nem
sempre isso é possível. Quando se torna necessário usar soro, anestésicos e fórceps, a mulher
faz o que se convencionou chamar de parto normal. Se o trabalho de parto estacionar por
algum motivo, aplica-se soro com ocitocina sintética par dar ritmo às contrações. É um recurso
que evita o sofrimento fetal. Claro que cada parto é diferente, por isso as condutas dos
médicos são muito diversas.
A analgesia do parto normal, chamada de duplo bloqueio, é um avanço da medicina. Trata-se
da associação da anestesia peridural com a ráqui, o que é suficiente para dar alicio à dor sem
tirar a mulher do comando do trabalho de parto. Muitos obstetras só aplicam a analgesia da
parturiente. Mas a aplicação pode ser feita precocemente ou mais tardiamente, dependendo de
cada caso. “Existe o risco de a analgesia retardar o período expulsivo”, diz o obstetra Jorge
Kuhn. Mas há também vantagens. As mulheres que sentem dor de maneira intensa podem se
beneficiar da analgesia. A dor faz o colo do útero ficar tenso. Em vez de aumentar ainda mais,
ele pode parar a progressão da dilatação. Nesse caso a analgesia dá alívio á paciente e
incentivo para que ela prossiga com o trabalho de parto.
Da mesma forma, o uso de instrumentos para a retirada do bebê não pode ser descartado.
Tudo depende da evolução do parto. Para trabalhos que estão indo bem e por algum motivo
param de evoluir, o fórceps baixo pode ser um recurso para evitar que a criança permaneça
numa situação que não lhe é favorável. Outra possibilidade é usar o vácuo extrator, campânula
de plástico em forma de sino, que, uma vez encostada na cabeça do bebê, forma uma espécie
de vácuo, trazendo-o mais facilmente para o canal do parto.

NATURAL
A mulher que se prepara bem tem condições de vivenciar o parto sem precisar de
intervenções.
É aquele que ocorre naturalmente, sem intervenções dos médicos ou de medicamentos. Pode
ser feito no hospital, na casa da parturiente ou em casas de parto. Considerando o modelo
ideal, esse tipo está ganhando a adesão de médicos e gestantes. “A mulher que se prepara
física e emocionalmente para o dia do nascimento, que sente confiança no obstetra e recebe o
apoio do marido ou de outra pessoa tem melhores condições de vivenciar o trabalho de parto
sem precisar de analgésicos nem outras intervenções, como corte do períneo ou episiotomia”,
diz a doutora Ana Cristina Duarte.
O ginecologista e obstetra Eduardo de Souza, da Unifesp, vai além: “Não se deve fazer o corte
do períneo de forma sistemática, mas sim quando for necessário”.
Quando a mulher controla a chamada “força final” auxiliada pelo obstetra – que protege o
períneo com as mãos na hora da expulsão, evitando que ele distenda demais -, poderá ter
pequenas lacerações naturais, melhores do que a episiotomia. Em muitos casos, a parturiente
nem chega a ter lacerações. Para evitar que ocorram, os médicos recomendam às gestantes
exercitar o períneo, musculatura esquecida durante boa parte da vida. “Fazendo o movimento
de parar o xixi 20 vezes durante a noite e 20 vezes durante o dia, já se tem um bom
resultado. Outro fator importante é o controle do peso durante a gestação. Bebês menores têm
mais facilidade para passar pelo canal do parto”, alerta o obstetra Marcos Tadeu Garcia.
Segundo ele, o ideal é a mulher ganhar de 9 a 12 quilos.

NA ÁGUA
A criança respira pela primeira vez no meio líquido e sai dali lentamente. É muito
tranqüilo para o bebê.
No Brasil, pouquíssimas mulheres te a chance de vivenciar o parto na água. O obstetra carioca
Francisco Vilela é um dos raros médicos brasileiros que acompanham esse método.
Nesta entrevista ele conta como é a experiência de mães e bebês:
Quais os benefícios desse parto?
Francisco Vilela – Ele é menos doloroso para a mulher e menos traumático para a criança. A
água propicia um relaxamento tão grande que às vezes o parto estaciona.
Diminui a duração do trabalho de parto?
FV – Sim, a água reduz muito o tempo do parto. No primeiro filho, é comum o procedimento
FV Sim, a água reduz muito o tempo do parto. No primeiro filho, é comum o procedimento
durar de 10 a 12 horas. Dentro da água, a mulher chega a ter o bebê em 6 ou 7 horas. O
período expulsivo também é muito melhor, já que a água relaxa bastante a musculatura.
Porque o parto na água não é incentivado?
FV – Existe ainda muita resistência das maternidades para a instalação de banheiras. Além
disso, os obstetras estão acostumados a realizar intervenções.
É possível fazer a analgesia na água?
FV – Sim, mas é preciso proteger o cateter com plástico. A intensidade da dor varia muito para
cada pessoa, mas eu diria que dentro da água é mais difícil a mulher pedir analgesia.
Qual é a reação do bebê na água?
FV – A criança quase não chora, fica ligada ao cordão umbilical, respira pela primeira vez
dentro da água e sai lentamente do meio líquido. A mamãe a segura no colo, e o cordão vai
parando de pulsar. Isso demora de 8 a 12 minutos. É um processo bem mais tranqüilo para o
bebê.

CÓCORAS
Agachada, a mulher se beneficia da ação da gravidade e de menor compressão dos
vasos sanguíneos maternos.
Pesquisas científicas comprovam que ter o bebê na posição de cócoras é favorável à mulher e
ao bebê. O obstetra e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Hugo
sabatino é um dos precursores do parto de cócoras aqui no Brasil e prova sua tese por meio de
pesquisas efetuadas no Grupo de Parto alternativo da Unicamp, onde todos os anos cerca de
100 mulheres vivenciam a experiência do parto de cócoras. Nesta entrevista, ele explica os
benefícios desse tipo de procedimento.
Quais as vantagens da posição de cócoras?
Hugo Sabatino – Agachada, a mulher se beneficia de várias formas. Para começar, existe maior
ação da gravidade e menos compressão dos vasos sanguíneos maternos. Isso é comprovado
por várias pesquisas, algumas realizadas na Unicamp. E não é só. A mulher respira melhor e
tem contrações mais efetivas durante o trabalho de parto e no período expulsivo. Há também
fatores importantes para ela, como a menor sensação dolorosa e maior produção de
endorfinas, os anestésicos naturais.
É verdade que o parto de cócoras é mais rápido?
HS – Sim, porque as contrações do útero são mais efetivas e a pressão vaginal menor,
facilitando a saída da criança pelo canal do parto. No procedimento convencional, o período
dura em média de 30 a 60 minutos em mulheres que nunca deram à luz antes. Na posição de
cócoras, o período expulsivo dura em torno de 15 a 30 minutos e, mesmo que leve mais
tempo, há menos riscos de complicação para o bebê.
Quais as vantagens para a criança?
HS – As pesquisas comparativas feitas na Unicamp provaram que as crianças nascidas de
partos tradicionais (na posição horizontal ou deitada) tiveram sete vezes mais depressão do
que as nascidas de partos de cócoras. Isso se justifica por uma série de fatores. A posição de
cócoras materna faz com que o bebê nasça em melhores condições. Os resultados dos testes
de Apgar – que avaliam os reflexos da criança ao nascer – são superiores. E os nenês
apresentam também maior nível de hormônio do amor. Em outras palavras, eles chegam ao
mundo de maneira muito mais humana.

CESÁREA
É preciso que haja uma soma de fatores e avaliação muito criteriosa para que seja
necessária a cirurgia.
Originalmente uma cirurgia de resgate do bebê, esse tipo de parto passou a ser adotado com
muita freqüência no Brasil. “As justificativas dos médicos nem sempre são claras. É muito
difícil saber se a mulher precisará de cesárea, a menos que ela entre em trabalho de parto e o
obstetra tenha paciência para acompanhar a evolução”, afirma a doutora Ana Cristina Duarte.
De maneira geral, a cesariana pode ser necessária quando o feto é grande, quando está numa
posição ruim e se durante o trabalho de parto não ocorreu nenhuma alteração dessa posição.
Pode acontecer também a desproporção entre o tamanho do bebê e o da bacia da mãe. Nesse
caso a criança não conseguirá passar. “A idade da gestante, hipertensão e diabetes não são
por si só indicações de cesárea. É preciso que haja uma soma de fatores e avaliação muito
criteriosa, porque, mesmo nos casos de doenças prévias, é possível induzir o parto normal”,
diz o obstetra Eduardo de Souza.
Como é a cesárea
Primeiro faz-se a raspagem na região da incisão. Em seguida, a gestante é levada para o
centro cirúrgico acompanhada pelo marido ou por outra pessoa da família. A mulher senta na
posição de Buda ( com as pernas cruzadas uma sobre a outra) para receber a anestesia
peridural ou a ráqui, aplicada da espinha dorsal. Sob o efeito do anestésico, ela é coberta com
panos esterilizados. Apenas o local da incisão fica à vista do obstetra. Faz-se, então, assepsia
do abdômen e dos genitais e coloca-se uma sonda na bexiga. O obstetra corta a pele, o tecido
gorduroso, que tem de 3 a 6 centímetros de espessura, uma outra camada chamada
aponeurose, o músculo, o peritônio parietal, o peritôneo visceral e o útero propriamente dito.
Em seguida retira o bebê e corta o cordão umbilical imediatamente. O nenê é entregue ao
neonatologista para ser aspirado e avaliado.
Enquanto isso ocorre à saída espontânea da placenta. A criança é mostrada para a mamãe por
alguns minutos. A seguir o obstetra costura camada por camada do corte. Cada uma é fechada
com um tipo diferente de costura. Como a posição é horizontal é incômoda, o bebê, que
poderia mamar, dificilmente consegue faze-lo. Tudo isso ocorre em aproximadamente 1 hora.
Quando a cirurgia termina, a mamãe é levada para uma sala de recuperação, onde fica de 1 a
3 horas, até redobrar os movimentos das pernas. Aos poucos, passado o efeito da anestesia,
algo que acontece entre 10 e 12 horas, ela poderá se levantar. A permanência na maternidade
é em média de dois a três dias.
Avalie os riscos

Os especialistas são unânimes em afirmar que todo parto envolve riscos para a mão e o filho.
No parto natural r normal, os riscos de complicação são bem menores do que na cesárea,
considerada uma cirurgia de médio porte. A mulher que se submete à cesariana pode ter
infecção, queda da pressão, hemorragias e complicações relativas à anestesia. Após o parto,
há ainda outros riscos de complicação como embolia (obstrução de uma artéria ou veia por
coágulo de sanguíneo) e flebites (inflamação de veias superficiais). Para que se tenha idéia, “o
risco de morte da mãe é de 4 a 40 vezes menor no parto normal. Já o de morte do bebê é 10
vezes menor do que na cesárea”, informa o obstetra Jorge Kuhn. E mais: na segunda e na
terceira cesárea, a anatomia do útero se modifica por causa das cicatrizes que se formam. Por
isso aumenta bastante o risco de hemorragia. Há também mais chance de ocorrer aderência, o
que pode provocar a dor crônica na região da cicatriz do corte.